O ator Pedro Nercessian está no elenco da série “Ângela Diniz”, que estreou em 13 de novembro, na Max. Na produção, que relata o real caso do assassinato da socialite brasileira, ele interpreta Otávio, milionário carioca, casado, que tem romance com Ângela quando ela chega ao Rio de Janeiro. Com 40 anos e 24 de carreira, ele se dedica nos últimos dois anos a trocar experiências com o público de maneira regular com vídeos que falam sobre relações humanas e evolução pessoal. Muitos atingem milhões de visualizações.
Carioca, Nercessian estreou na TV em 2001. Na Record, atuou em “Reis” e "Amor sem Igual”. No mais recente trabalho na emissora, “Paulo, o Apóstolo” interpretou o bispo Tiago, liderança da igreja primitiva nos primeiros anos do cristianismo que estará em “Ben-Hur”, próxima produção da emissora. Além de ator, é diretor, produtor e gestor cultural. Em seu currículo constam o cargo de diretor de programação do Teatro do Retiro dos Artistas, voltado a espetáculos para crianças e terceira idade, produção da Festa Chá da Alice e direção de peças e shows como os de Anitta. Está atualmente na Europa para aperfeiçoar o inglês.
Em breve estarás atuando em “Ben-Hur”, interpretando o bispo Tiago, pela segunda vez. É o mesmo personagem de “Paulo, o apóstolo”. Como é poder fazer o mesmo personagem em duas obras distintas?
Sempre quis viver isso, o mesmo personagem em momentos de vida diferentes. Um desafio e um presente ao mesmo tempo. Acho que o público vai gostar de ver o que aconteceu na vida dele até ele chegar na sabedoria que vimos em "Paulo, o Apostolo".
Em teu currículo constam vários trabalhos na Record. Como é tua rotina quando interpretas um personagem bíblico?
O estudo pra um personagem é uma das partes que mais gosto. Nas séries bíblicas eu mergulho não só no roteiro, mas me inspiro nas pessoas que tem ou terão suas vidas impactadas com nosso trabalho. Tenho um respeito profundo com a casa de cada família que me permite entrar através da TV. É muita responsabilidade.
Também podes ser visto em “Praia dos Ossos”, da Max, a história real do assassinato de Ângela Diniz. Como é fazer um personagem verídico? Como foi o preparo para o trabalho?
Hoje as pessoas consomem muito conteúdo baseado em crimes reais. Nosso desafio é mostrar não somente a história de um crime, mas o que podemos e devemos aprender com ele. Meu personagem se envolve com a protagonista em um clima de suposta liberdade mas acaba mostrando que no Brasil essa liberdade não é pra todo mundo, e que algumas pessoas ainda se sentem donas de outras até hoje, inclusive. A série infelizmente está mais atual que nunca.
Atualmente, você está na Europa estudando e rodando um filme em Portugal. O que pode falar desse projeto que marca sua estreia numa produção estrangeira?
Claro que é um passo importante na carreira e que eu esteja trabalhando pra isso, não quero nunca deixar de trabalhar no Brasil. Daqui de fora a gente consegue enxergar o quanto nosso país é maravilhoso mesmo com todos os problemas. Já deu pra perceber que eu estou morrendo de saudade, né? O filme fala sobre uma das maiores tradições de Lisboa, os casamentos coletivos de Santo Antônio, e retrata as mudanças de comportamento que vem acontecendo em Portugal e como as pessoas estão achando disso.
Sempre cogitou essa carreira internacional?
Sempre esteve nos meus horizontes. Mas sem pensar em abrir mão de trabalhar no Brasil.
Costumas usar as redes levando seguidores a pensar sobre relações. Como surgiu a ideia e como impacta no trabalho?
Sempre gostei de falar sobre a vida. E a internet me fez ver que as pessoas gostavam de ouvir. Queria me conectar com as pessoas para além dos personagens. Hoje sinto que tenho mais que seguidores, são amigos, parceiros dessa jornada de autoconhecimento. É muito legal trocar experiencias com quem me acompanha desde que comecei na TV.
O que ainda desejas explorar como ator, produtor e diretor que ainda não fez?
Quero fazer dramaturgia nas redes sociais. Histórias mais longas, roteiros mais complexos.
És sobrinho de um grande ator, o Stepan Nercessian. Como ele influenciou tua carreira?
É mais fácil quando sua família acredita que ser ator é uma profissão possível. Só por isso já me ajudou muito ter um artista na família. Mas a maior contribuição do meu tio foi ter me chamado para trabalhar como voluntário nos Retiro dos Artista na minha juventude. Lá eu aprendi a ser gente, descobri a importância do respeito aos mais experientes, aprendi com quem passou a vida nos palcos, muitas histórias de quem teve que fugir com o circo que passou na cidade para poder viver de arte. Um momento mágico na minha vida.
Também trabalhas no Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro. Como é a troca marcante com esses nomes da dramaturgia?
Aos 14 anos, fui estudar teatro, depois me formar e voltei aos 21 anos para trabalhar como voluntário. Hoje ajudo quando precisam divulgar um evento ou atividade. Sinto que é um pouco a minha casa. Sem o Retiro dos Artistas no caminho eu não seria o ator nem a pessoa que sou hoje. Espero sempre poder retribuir, dar um conforto para quem construiu tantas historias lindas que embalaram nossas vidas.
Em 2026, completas 25 anos de carreira. O que mudaria dessa trajetória?
Não mudaria nada. Sem meus erros eu não teria aprendido o que precisava para chegar aqui feliz como estou hoje.