Arte & Agenda

Escola de Porto Alegre compete no Festival de Dança de Joinville

Bailarinos do Carol Dalmolin Estúdio de Dança se apresentam em mostra competitiva no maior festival de dança do mundo, realizado de 20 de julho a 1º de agosto em SC

Ensaios em grupo antecedem a apresentação ao júri
Ensaios em grupo antecedem a apresentação ao júri Foto : Fabiano do Amaral

Pisar no palco do Festival de Dança de Joinville, em Santa Catarina, faz parte dos sonhos de muitos artistas. Neste ano, as apresentações serão entre os dias 20 de julho e 1º de agosto, entre mostra competitiva, festivais temáticos e noite dos campeões. Há 43 edições, o festival tem se tornado cada vez mais relevante para a cena artística, seja pelo nível das apresentações ou pelo tamanho (de fato) do evento, já que, desde 2005, Joinville ocupa o espaço no Guinness Book como o Maior Festival de Dança do Mundo.

E é este o “peso” que o Carol Dalmolin Estúdio de Dança, localizado no bairro Três Figueiras, em Porto Alegre, leva consigo ao participar da competição com uma coreografia que explora diferentes níveis do jazz em grupo. Ao todo, 30 bailarinos compõem a cena que será demonstrada ao corpo de jurados na noite de 28 de julho. No dia, as apresentações serão dedicadas ao jazz (júnior e sênior) e dança contemporânea. Segundo a idealizadora do estúdio de dança, dos mais de 18 mil vídeos inscritos, apenas sete foram selecionados para a categoria.

Para construir a coreografia que marca mais uma apresentação da escola no palco do festival, a professora e coreógrafa Carol Dalmolin explica que foram necessários muitos ensaios até que tudo estivesse pronto para o palco. Dias de semana, finais de semana, horários alternativos… tudo para que o alinhamento fosse visto aos olhos do público. Até mesmo a locação de espaços ao ar livre que simulassem o tamanho do palco foi necessário.

Já a música escolhida para a montagem foi com o que “deu na telha”. Carol conta que ao ouvir um remix de “Mania de Você”, de Rita Lee, num momento de descontração na praia, já imaginou uma cena coreográfica. Com isso, o solo fértil da arte tomou conta.

“Eu disse: ‘ah, eu vou falar de amor. Vou pegar músicas bregas sobre o amor, mas vou fazer uma versão mais sofisticada.’ Então, foi nascendo a coreografia”.

Em “A Flor que Vive Todos os Amores”, traça-se uma linha tênue entre dança e cinema, já que os atos partem de um mix de canções encenadas em jazz com pitadas de balé clássico, característicos do trabalho de Carol Dalmolin. Primeiro com soneto e juras de amor eterno, como num casamento; o clássico “Evidências”, de Chitãozinho & Xororó, demonstrando a famosa “dor de cotovelo”; “Como é grande o meu amor por você”, de Roberto Carlos, deixando a interpretação navegar por todos os tipos de amor e, por fim, Rita Lee traz o desejo carnal e efervescente que só a cantora conseguiu transmitir. O resultado final é uma festa que celebra a coreografia, o espaço cênico e o fato de todo o corpo de baile estar realizando um sonho em conjunto.

Para o bailarino e professor Bruno Manganelli, a experiência enriquece a conexão do grupo.

“Eu realmente acho que a gente estava, enquanto grupo, predestinado a se encontrar. As coisas fluem, as coisas acontecem de uma forma que só, realmente, acho que é uma coisa extrafísica, uma paixão muito grande pela dança, pela arte.”

Mas assim como subir ao palco do Festival de Dança de Joinville é um sonho para quem respira a arte, Bruno explica que a motivação que um trabalho bem desenvolvido dá, também causa maior autocobrança. “Parece que acende uma coisa na gente. Precisamos nos cuidar ainda mais, se exercitar ainda mais. O corpo precisa entender o quanto essa chance é valiosa", pontua.

A preocupação também passou pelos olhos da coreógrafa, que buscou nos seus mestres o incentivo para transmitir aos “pupilos”.

“Pedi áudios para os meus professores, que já foram até jurados em Joinville, para que eu mostrasse a eles que eles também são bons e que também podem ganhar.”

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* Supervisão Luiz G. Lopes

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