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Escritor chileno Nicanor Parra, criador da "antipoesia", morre aos 103 anos

Vencedor do prêmio Cervantes em 2011, ele faleceu em sua casa em Las Cruces

Ele era filho da cantora Violeta Parra
Ele era filho da cantora Violeta Parra Foto : Colección del Archivo del Escritor de la Biblioteca Nacional / Divulgação / CP
O escritor chileno Nicanor Parra, criador da "antipoesia" e vencedor prêmio Cervantes em 2011, morreu aos 103 anos, informou nesta terça-feira o ministro da Cultura Ernesto Ottone. Considerado um dos poetas mais influentes do século XX, ele faleceu nesta madrugada em sua casa em Las Cruces, no litoral de seu país natal, por problemas de saúde não informados. Em pouco mais de um século de vida, ele revolucionou a poesia hispano-americana, conquistando especialmente as novas gerações.

"O Chile perdeu um dos maiores autores da história da nossa literatura e uma voz única na cultura ocidental. Estou comovida pela morte de Nicanor Parra, minha mais profunda simpatia para com a família", disse a presidente Michelle Bachelet, na sua conta oficial do Twitter. Até pouco antes de falecer, continuava ativo, escrevendo diariamente em sua residência, com vista para o Oceano Pacífico. "A única coisa que Nicanor Parra precisava para ser imortal foi precisamente ter deixado este mundo", disse, por outro lado, o presidente eleito Sebastián Piñera.

Nascido em uma família humilde de San Fabián de Alico (Chillán, sul do Chile), irmão de oito e filho da cantora Violeta Parra, ele destacava-se na área das ciências, mas sua vocação sempre foi a literatura. Ele publicou em 1937 seu primeiro livro, "Cancionero sin nombre", mas foram necessários 17 anos para lançar sua segunda e mais importante obra: "Poemas e antipoemas" (1954), o detonador da "antipoesiaica", a escrita irreverente, mundana e ao mesmo tempo simples que caracterizou seu trabalho. Com esta obra, se revelou contra a poesia tradicional chilena, rígida e séria, segundo seu ponto de vista, e introduziu a ironia e o léxico simples para tratar de temas cotidianos.  

Parra recebeu o Prêmio Juan Rulfo de Literatura Latino-Americana e do Caribe (1991) e o Prêmio Iberoamericano de Poesia Reina Sofía (2001). Contudo, sua máxima láurea foi o prêmio Cervantes em 2011. Ele decidiu não viajar para receber o prêmio por sua idade avançada e enviou seu neto "Tololo" Ugarte, um pianista proeminente. Durante a Guerra Fria, apesar de ser considerado de esquerda, surpreendeu quando aceitou um convite para tomar chá com a esposa do ex-presidente americano Richard Nixon. Sua ousadia fez com que fosse vetado da Feira do Livro de Havana e repudiado pelos comunistas, afastando-o de Pablo Neruda, seu conterrâneo vencedor do Nobel de Literatura.

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