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Escritor cubano é cauteloso ao falar de aproximação com os Estados Unidos

Pedro Juan Gutiérrez é autor de best-sellers como "Trilogia Suja de Havana" e "Animal Tropical"

Escritor cubano fala sobre a aproximação diplomática entre Cuba e Estados Unidos
Escritor cubano fala sobre a aproximação diplomática entre Cuba e Estados Unidos Foto : Niurka Barroso / AFP / CP
Um dos grandes escritores cubanos da atualidade, publicado em vários países, Pedro Juan Gutiérrez, nascido em 27 de janeiro de 1950, é autor, entre outros best-sellers, da “Trilogia Suja de Havana” (1998), de “O Rei de Havana” (1999) e de “Animal Tropical” (2000). Depois de ser vendedor de sorvetes e cortador de cana, virou jornalista e, finalmente, escritor consagrado internacionalmente.

Não lhe faltam convites para viajar ao exterior. O percurso para obter a liberação de saída nem sempre é fácil. Nesta entrevista, concedida por e-mail, que Pedro Juan demorou a responder por “ter muito pouco acesso à Internet”, ele reflete cautelosamente sobre as consequências do reatamento das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos.

Caderno de Sábado: O que essa reaproximação entre Cuba e Estados Unidos representa para o cotidiano das pessoas em Cuba?

Pedro Juan Gutiérrez: No plano imediato nada representa de material. Mas há satisfação de se estar resolvendo o problema de maneira pacífica e civilizada como deve ser. Estamos vivendo um momento histórico muito importante que marca o começo essencial de relações de outro tipo. Espero que se siga em frente com esse mesmo espírito construtivo pondo de lado ódios, rancores e velhas disputas.

CS: O que isso pode mudar na expectativa do futuro de Cuba?

PJG: Pode mudar muito o futuro de Cuba, pois se supõe que, se somos vizinhos tão próximos e com relações diplomáticas restabelecidas, será possível melhorar substancialmente, de modo gradativo, os intercâmbios comerciais, culturais, científicos e de todos os tipos entre os dois países. Essa é a esperança dos cubanos.

CS:
Cuba tem sido objeto de escritores que vão de Hemingway a Sartre. O que a literatura estrangeira disse sobre Cuba que possa ter te impressionado como escritor cubano?

PJG: Além dos escritores estrangeiros, que escrevem ou escreveram sobre Cuba, existe também um número considerável de escritores cubanos vivendo no exílio e que têm publicado obras muito interessantes sobre Cuba. Agora, com o reatamento das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, eu suponho que eles poderão, aos poucos, ser lidos e conhecidos dentro de Cuba. É importante que isso possa acontecer desde já. Eu me refiro a escritores de primeira grandeza como Guillermo Cabrera Infante, Severo Sarduy e outros.

CS: O embargo americano é o grande responsável pela situação de vida difícil em Cuba?

PJG: O embargo é responsável, em grande parte, pela situação econômica difícil do país. Mas existem também erros internos e falhas que nós, cubanos, conhecemos perfeitamente. Acredito que, aos poucos, o panorama interior vai mudar para melhor, permitindo integrar Cuba neste mundo complexo e globalizado, com mais liberdade e mais respeito pelos direitos humanos e pelas pessoas. Para resumir, estou otimista. Estamos vivendo um bom momento.

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