O jornalista que já escreveu para publicações importantes como a Harper´s Magazine e que ainda escreve para a New Yorker e no Brasil para a Piauí destacou que a chave para pensar a alimentação e os seus livros é se os alimentos são reais, preparados por seres humanos e minimamente processados. "Faço da minha casa um laboratório para escrever estes livros. Ao contrário de "O Dilema do Onívoro" este livro é uma jornada esperançosa. No capítulo Terra, eu falo de fermentação, do pão, do queijo, da microbiologia, das bactérias, pois aprendi que 90% das células do nosso corpo são das bactérias que nos ensinam a criar defesas. As bactérias gostam de plantas e não de McDonald´s", ensina Pollan.
No livro e na palestra, o autor trabalha com o prazer de cozinhar e de plantar. "Tem muita comida de verdade por aí. Um dos lemas do livro é 'Coma comida, não muito, e principalmente plantas'. Queremos a experiência de comer comida de verdade, o prazer de comer, não de comer até ficar cheio. Na França, as crianças dizem aos pais que já não estão mais com fome, mas não que estão cheios. Nós temos um desafio em relação às crianças que é enfrentar os marqueteiros. Deveria ser proibida condicionar um lanche de fast food a receber um brinquedo. É a empresa se interpondo na relação entre pais e filhos", proferiu. Sobre o seu filho e as demais crianças, disse que não dá para dizer para não comer, mas dar o exemplo de comer legumes ou não comer carne de gado confinado, além da inclusão da criança auxiliando na cozinha ou na plantação.
Pollan comeu acarajé em Salvador e feijoada e moqueca em Paraty e disse que gostou mais da moqueca, o seu prato preferido no Brasil. Ele gostou também da cachaça, apesar de reconhecer que não é um alimento (risos). "O desafio para alimentar o mundo é quantos agricultores você precisa, é o material humano e não o industrial, e também as decisões sobre quem controla a terra. 40% dos alimentos produzidos no mundo são desperdiçados, apenas 10% a 20% é aproveitado. O resto é para ração e etanol", alerta.
Sobre as políticas públicas, disse que os governos precisam se dar conta e intervir no assunto do alimento de verdade. "Obama foi uma decepção. Michele é a primeira na Casa Branca a incentivar o tema. Nos EUA, o governo subsidia adoçantes e programas de combate a diabetes. É um contrassenso. No Brasil, o Ministério da Saúde vai divulgar em setembro uma série de diretrizes sobre cultura, alimentos e nutrição." O ativista finalizou o bate-papo com descontração falando dos seus estudos sobre a maconha. "Tenho um estudo, A Cannabis e a Importância do Esquecimento, que partiu de algumas experiências. A marijuana desabilita a memória de curto prazo. Por isso, quando alguém fuma pega uma garrafa e diz: 'Oh, uma água com gás', pois esqueceu tudo", disse para o riso e aplausos da plateia.