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Escritor francês é acusado de plagiar a Wikipedia em novo livro

Michel Houellebecq declara que insulto "ridículo" é apenas mais um contra sua obra

Escritor francês é acusado de plagiar a Wikipedia em novo livro
Escritor francês é acusado de plagiar a Wikipedia em novo livro Foto : AFP
Sexista, obsceno e racista são adjetivos normalmente usados para criticar os livros de Michel Houellebecq. Contra o novo romance do mais conhecido escritor francês vivo, no entanto, pesam acusações de plágio: Houellebecq teria copiado e colado trechos inteiros da Wikipedia em sua recém-lançada obra. "La carte et le territoire" (O mapa e o território, em uma tradução livre) acaba de chegar às livrarias europeias e já é considerado favorito na disputa pelo prestigiado prêmio Goncourt, em novembro.

Muito esperado pela horda de fãs de Houellebecq – cujo último romance foi publicado em 2005 –, o livro satiriza alegremente o mundo da arte parisiense, incluindo um escritor bêbabo, fedorento e mal-vestido chamado Michel Houellebecq. No entanto, dispensa em grande parte as provocações misantrópicas presentes em seus quatro romances anteriores.

"La carte et le territoire" recebeu muitas críticas positivas até agora - o jornal Libération chegou a dizer que se trata de uma "obra-prima" -, e alguns especialistas chegaram a estimar que a ausência de sexo bizarro, misogenia e retórica anti-islã mostra que Houellebecq está finalmente mostrando um lado mais suave de sua escrita. Nesta segunda-feira, no entanto, o escritor – que vive na Espanha – viu-se envolvido em uma nova e grave polêmica, depois que o site Slate.fr afirmou que ele copiara trechos da Wikipedia.

O artigo, intitulado "A possibilidade do plágio", aponta pelo menos três passagens aparentemente emprestadas da edição francesa da enciclopédia online. "Plágio ou ferramenta estilística?", indaga o site, antes de publicar os verbetes supostamente copiados da Wikipedia ao lado de trechos do romance de Houellebecq. Os verbetes em questão falam sobre a mosca doméstica, a cidade de Beauvais e um ativista francês.

O Slate.fr indica ainda que o escritor parece ter copiado a descrição do trabalho de agentes da polícia francesa do site do Ministério do Interior da França, e que copiou e colou a descrição de um hotel no sul da França da página do próprio hotel. Em uma entrevista gravada em vídeo e postada nesta segunda-feira pelo site da revista Le Nouvel Observateur, Houellebecq diz que a acusação de plágio é "ridícula" e apenas mais uma na longa lista de insultos já disparados contra sua obra.

"Quando você usa uma palavra grande como 'plágio', mesmo se a acusação é ridícula, algo sempre permanecerá (...). É como racismo", afirmou o escritor. "E, se as pessoas de fato pensam isso, então elas não têm a menor noção do que é literatura. Isso faz parte do meu método", defendeu-se. Misturar textos "reais" com a ficção é uma técnica largamente utilizada por escritores de todas as épocas e estilos, como era o caso do argentino Jorge Luis Borges e do francês Georges Perec, argumentou Houellebecq.

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