Promover o reconhecimento das aves brasileiras de forma lúdica e educativa é o mote de “Passarinhar: Passa Passará Que Ave Será?”, livro brincante idealizado e coordenado por Patrícia Langlois que ao invés de páginas contém 28 cartas, de um lado com suas poesias e do outro, imagens do biólogo e fotógrafo Lucas Klassmann. Dispostas em uma estrutura sanfonada, que simula bicos de pássaros no ninho, permitem jogos pedagógicos e de alfabetização ecológica. O lançamento ocorrerá na Fundação Ecarta (avenida João Pessoa, 943), no sábado, dia 6 de dezembro, das 10h às 12h30min, com contação de histórias da atriz Carmen Lima. O livro tem pré-venda, pelo link da bio do Instagram @pati.langlois e estará à venda no local.
O projeto é uma resposta criativa ao distanciamento crescente das crianças da fauna silvestre brasileira, que muitas vezes reconhecem aves icônicas como tucanos e araras, mas não identificam espécies com as quais convivem em seu cotidiano. Destaca-se pela abordagem inclusiva, ao apresentar fonte amigável para pessoas com dislexia e audiodescrição por meio de um Qrcode, que remete à Audioteca Tum-Tum-Tá, criada pela autora e que abrigará também outras obras, a serem inseridas após passar pelo conselho editorial. O projeto gráfico é assinado por S2C Gráfica, Secco Editora e Patrícia Langlois.
Com mais de 27 obras dedicadas à infância e a juventude, Patrícia idealizou este projeto há dez anos com seu amigo Lucas Klassmann, que é observador de aves e há 15 viaja pelo mundo para clicá-las. A escritora e ilustradora sempre quis fazer um livro inclusivo, tendo inscrito na Lei Aldir Blanc de Fomento à Cultura e sido contemplada, em 6º lugar dentre mais de 1300 inscritos e em 1º na categoria Literatura. A viabilização veio com financiamento do Edital Pnab POA da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de Porto Alegre. Ela criou poesias inspiradas em parlendas, brincadeiras infantis, cantigas de roda, ditados populares e hábitos das aves. Foram escolhidas tanto espécies conhecidas, como Arara Azul, Pica-Pau e Quero-Quero, como as de nomes inusitados: Cochicho, Estalinho, Maria Faceira, Noivinha e Lavadeira de Cara Branca. O texto de apresentação, do escritor Dilan Camargo, destaca a brasilidade do trabalho, que desperta a imaginação de crianças, famílias e professores.
Atividades
A estreia de “Passarinhar: Passa Passará Que Ave Será?” foi na 71ª Feira de Livro de Porto Alegre, no dia 5 de novembro, com bate-papo com os autores; contação de histórias e ação psicopedagógica. A importância da observação dos pássaros, como funciona no Brasil e no mundo, os cuidados com estes animais e a concepção do projeto estiveram em foco, além da apreciação dos poemas.
Na manhã do dia 18 de novembro foi a vez de parte da equipe participar da conferência “Quando a Leitura se Abre Para Todos os Sentidos”, pelo Seminário Nacional de Literatura Acessível (SNILA), promovido pela UFRGS. No evento foi lançada a Audioteca Tum-Tum-Tá!, ideal para leitores cegos, de baixa visão e para quem ama ouvir histórias com riqueza de detalhes sensoriais. “No projeto, eu havia prometido que o livro teria audiodescrição — e, para isso, precisaria de um espaço para hospedá-lo. Foi então que surgiu a ideia: em vez de criar um canal apenas para aquele livro, por que não abrir um espaço que pudesse receber muitos outros?”, diz Patrícia, que é apaixonada por criar pontes entre a literatura e os leitores. “Em vez de cada autor ou editora publicar seus livros de forma dispersa, imaginei uma biblioteca sonora coletiva, onde todos pudessem ouvir, descobrir e compartilhar histórias. Uma audioteca sem fins lucrativos”, complementa.
A equipe está promovendo visitas a três escolas municipais, com contação de histórias, conversa com os autores e atividade com psicopedagoga. Já foram realizadas visitas à EMEF São Pedro (Lomba do Pinheiro), dia 28 de novembro; a EMEF Dolores Alcaraz Caldas (Restinga), dia 4 de dezembro. A próxima visita será à EMEF Presidente Vargas (Passo das Pedras), que encerra a programação, no dia 9 deste mês, terça-feira. E todas as escolas da rede municipal de ensino de Porto Alegre, que totalizam 99, receberão um exemplar.