Sobre o projeto, Daniel Galera ressalta que rendeu vários livros interessantes e se justificou. “‘Cordilheira’ foi um livro que dividiu opiniões. Eu gosto bastante dele, é uma obra peculiar dentro da minha carreira.” O autor lembra que quando convidado para viajar, ambientar a história e registrar em blog e vídeo a cidade de Buenos Aires, decidiu encaixar o esboço que tinha na cabeça de um romance para a capital argentina. A trama versa sobre Anita, escritora brasileira, que deseja ser mãe e se envolve com seita de escritores, com jogos metaficcionais. “Por um mês, conheci e experimentei a cidade em ritmo natural, pesquisando locações e situações que serviriam à história. Encontrei cenário fértil na tradição literária e cena cultural alternativa, bares e cafés, em cantinhos curiosos que encontrava nas caminhadas. Uma viagem a Ushuaia me deu novas ideias e foi decisiva aos rumos da história”, conta.
Sobre “Ithaca Road”, que se passa em Sidney, na Austrália, o porto-alegrense Paulo Scott confessa que levou quatro anos escrevendo o romance. “Percebi que naqueles 30 dias que passei em Sydney fiquei rodando a esmo pela cidade, tentando encontrar nela o que só fosse possível de acontecer lá. Nesse sentido, fiz da cidade uma personagem. Na verdade, a grande antagonista (numa relação de amor e ódio) de Narelle, a protagonista”, explica.
Assim como Galera, a protagonista de Scott é uma mulher, mas no caso de Narelle a ida da Irlanda à Austrália desarticula um pouco o seu mundo. “Ela é mestiça de índio maori com inglês, uma mulher do seu tempo, inteligente, emancipada, mas perdida num contexto que dá aos adultos tantas oportunidades e chances de relacionamentos e entretenimentos e que os tornam, por vezes, pessoas emocionalmente imaturas, crianças perdidas num grande parque de diversões”, diz.
O livro de Pellizzari gira em torno do errante Magnus Factor, que abre uma agência de turismo especializada em locais mal-assombrados na irlandesa Dublin dos becos escuros e das revoluções impossíveis.