Arte & Agenda

Escritores falam sobre coleção “Amores Expressos” nesta quinta

Série de livros se passa em 16 cidades diferentes do mundo

Os amores estarão no ar, no coração da Feira da Leira do Livro, com a mesa “Amores Expressos” sobre a coleção homônima da editora Companhia das Letras sobre histórias de amor ambientadas em 16 cidades do mundo, às 19h desta quinta-feira, na Sala Leste do Santander Cultural (Sete de Setembro, 1028). Para falar dos livros com amores que se passam em Buenos Aires, Sidney e Dublin, a mesa terá respectivamente Daniel Galera (“Cordilheira”), Paulo Scott (“Ithaca Road”) e Daniel Pellizzari (“Digam a Satã Que o Recado foi Entendido”), sob mediação do escritor Pedro Gonzaga. A coleção criada em 2007 rendeu dez livros, um dos quais do gaúcho Amilcar Bettega Barbosa, “Barreira”, que se passa em Istambul.

Sobre o projeto, Daniel Galera ressalta que rendeu vários livros interessantes e se justificou. “‘Cordilheira’ foi um livro que dividiu opiniões. Eu gosto bastante dele, é uma obra peculiar dentro da minha carreira.” O autor lembra que quando convidado para viajar, ambientar a história e registrar em blog e vídeo a cidade de Buenos Aires, decidiu encaixar o esboço que tinha na cabeça de um romance para a capital argentina. A trama versa sobre Anita, escritora brasileira, que deseja ser mãe e se envolve com seita de escritores, com jogos metaficcionais. “Por um mês, conheci e experimentei a cidade em ritmo natural, pesquisando locações e situações que serviriam à história. Encontrei cenário fértil na tradição literária e cena cultural alternativa, bares e cafés, em cantinhos curiosos que encontrava nas caminhadas. Uma viagem a Ushuaia me deu novas ideias e foi decisiva aos rumos da história”, conta.

Sobre “Ithaca Road”, que se passa em Sidney, na Austrália, o porto-alegrense Paulo Scott confessa que levou quatro anos escrevendo o romance. “Percebi que naqueles 30 dias que passei em Sydney fiquei rodando a esmo pela cidade, tentando encontrar nela o que só fosse possível de acontecer lá. Nesse sentido, fiz da cidade uma personagem. Na verdade, a grande antagonista (numa relação de amor e ódio) de Narelle, a protagonista”, explica.

Assim como Galera, a protagonista de Scott é uma mulher, mas no caso de Narelle a ida da Irlanda à Austrália desarticula um pouco o seu mundo. “Ela é mestiça de índio maori com inglês, uma mulher do seu tempo, inteligente, emancipada, mas perdida num contexto que dá aos adultos tantas oportunidades e chances de relacionamentos e entretenimentos e que os tornam, por vezes, pessoas emocionalmente imaturas, crianças perdidas num grande parque de diversões”, diz.

O livro de Pellizzari gira em torno do errante Magnus Factor, que abre uma agência de turismo especializada em locais mal-assombrados na irlandesa Dublin dos becos escuros e das revoluções impossíveis.

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