Arte & Agenda

Espetáculo celebra trajetória de Chacrinha em Porto Alegre

Stepan Nercessian interpreta o apresentador na peça do diretor Andrucha Waddington

Stepan Nercessian enfrenta o desafio de viver o Velho Guerreiro
Stepan Nercessian enfrenta o desafio de viver o Velho Guerreiro Foto : Caio Gallucci / Divulgação / CP
Interpretado por Stepan Nercessian, Abelardo Barbosa, o Chacrinha, será celebrado nesta sexta e neste sábado em Porto Alegre. As duas apresentações acontecem às 21h, no Teatro do Sesi (Assis Brasil, 8787), com ingressos entre R$ 40 e R$ 50.

Sobem ao palco duas dezenas de artistas, para interpretar os familiares, cantores, jurados e chacretes, que conviveram com o apresentador, que deixou sua marca genuína na televisão brasileira e também muita saudade. O primeiro ato é representado como teatro, mostrando o protagonista na infância em Surubim, Pernambuco, e na juventude. O papel ficou a cargo de Pedro Henrique Lopes.

Já a segunda parte, em forma de um programa de auditório, traz figuras inesquecíveis, como Elke Maravilha, Jece Valadão e Pedro de Lara; e os calouros, que se não ficavam aturdidos com as buzinadas, tremiam com “ele vai pro trono ou não vai?”. Neste momento, o público tem uma pequena participação na montagem com cerca de 60 canções e bordões clássicos, como “eu vim para confundir, não para explicar” e “quem não se comunica, se trumbica”.

“Ele virava de costas para a câmera, enfiava a mão na lente, a TV teve que sair da imobilidade para acompanhá-lo”, diz Stepan, que teve o nome sugerido para o papel por Fernanda Montenegro, sogra de Andrucha Waddington, o diretor da peça - que tem texto de Pedro Bial e Rodrigo Nogueira. Com o espetáculo, ele resolveu voltar aos palcos, após dez anos afastando, na pele deste grande ícone da TV nacional, de quem sempre foi fã. “Já era um personagem e fazia outros em cima disso”, continua, referindo-se às vezes em que Chacrinha se vestia de noiva, palhaço etc., o que mexia com as pessoas dos 5 aos 80 anos. “Falava com todas as classes sociais, em função das atrações musicais, de Caetano a Nelson Ned”, completa.

Em sua atuação, Stepan procurou não imitar, fazendo o Abelardo em casa, de cueca, com suas tragédias, do filho paraplégico, da crise de identidade e da luta contra a eterna timidez. “Procurei humanizar o máximo possível, e na reta final é que surgiu a voz, o jeito de andar”, segue o ator. Sobre as chacretes, que povoaram o imaginário masculino do Brasil inteiro, considera que ele foi genial ao conseguir dar uma identidade para cada uma delas.

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