Humor e ironia são os ingredientes de “Teatro Para Pássaros”, que mescla realidade e ficção, a partir do texto do argentino Daniel Veronese. Tendo o trabalho no centro dos acontecimentos, a peça dirigida por Breno Ketzer Saul estreia às 20h de hoje e amanhã, no Teatro da Santa Casa (Independência, 75). No elenco, Áurea Baptista, Carla Cassapo, Dionísio Farias, Evandro Soldatelli, Raquel Zepka e Vinícius Petry.
Seis atores se reúnem em um apartamento, numa madrugada, para discutirem um projeto. A anfitriã Teresa, que assina a dramaturgia de sua primeira peça, revela o interesse de vender o trabalho para seu ex-namorado, Toni, agora um bem-sucedido produtor de TV. A partir daí as coisas passam a se misturar, uma vez que a peça escrita por Teresa é o próprio espetáculo que estamos assistindo.
A trama passa por diversos pontos de tensão. Toni, que não gosta de teatro e ganha muito dinheiro na televisão, não tem o menor interesse em abraçar o projeto de Teresa. Para agradá-lo e convencê-lo a mudar de ideia, ela acaba por se submeter, abrindo mão de escolhas que alteram a obra. Isso gera revolta em uma das atrizes, Glória, que cita a poeta Emily Dickinson o tempo todo, em referência à “reclusão” da alma, que acaba sendo imposta pelo sistema, e que impede a essência humana de “voar”. Na sequência, passa a ser humilhada por Toni e revela novos tons de seu temperamento, com atitudes explosivas e violentas.
Outro ponto de constrangimento é o fato de que os atores reunidos formam casais que já tiveram relações entre si anteriormente. Um deles chega ao ponto de se agredir fisicamente durante um conflito e os vestígios deste acontecimento parecem ressoar misteriosamente nas mortes sucessivas de dois porteiros do prédio, que acontecem uma no dia anterior e outra durante a madrugada do encontro do grupo. Mas eles não parecem se importar com isso. Pelo contrário: mergulham em um diálogo frenético e picotado e se posicionam como se estivessem em uma arena.