O texto é livremente inspirado no livro “Cães da Província”, de Luiz Antônio de Assis Brasil, e em “Ensiqlopèdia”, “Eu Sou Vida, Eu Não Sou Morte”, “As Relações Naturais”, Hoje sou Hum, e Amanhã Sou Outro” e “Mateus e Mateusa”, do autor nascido em Triunfo e tido como louco numa Porto Alegre de 20 mil habitantes. “Ficamos impressionados com a injustiça que fizeram com ele e com sua genialidade. Ele era um bufão, um visionário, surrealista, à margem da sociedade”, diz a professora Inês Marocco, do Departamento de Arte Dramática (DAD) da Ufrgs, que pesquisa elementos da cultura gaúcha na formação do ator.
No palco, dez atores do Santo Coletivo recriam o imaginário da época, trazendo um dramaturgo solitário, às voltas com o processo de interdição movido pela esposa, declarando-o insano; o afastamento das três filhas; o diálogo que tinha com figuras imaginárias, como Garibaldi e o papa Pio XIX; a menção ao crime do linguiceiro da Rua do Arvoredo; e a hipocrisia de uma sociedade que o condenou moralmente.