Um dos maiores nomes do eletrotango argentino, Tanghetto, toca pela primeira vez em Porto Alegre, última parada da turnê brasileira por cidades como Florianópolis, Aracaju, Recife, Belo Horizonte, Brasília, Juiz de Fora e Curitiba, que marca o lançamento do disco "Mas Alla del Sur", de 2009.
Formado em 2001, por Max Masri e Diego Velásquez, o grupo faz shows nos dias 1º, às 21h, e 2 de maio, às 20h, no Teatro CIEE (Dom Pedro II, 861). Ingressos ao preço único de R$ 80,00 podem ser encontrados na Loja Bellenzier Pneus (Dom Pedro II, 1168), de segunda à sexta, das 12 às 18 horas e sábados, das 09 às 12 horas. Tele-entrega pelo fone 3231.4142.
O nome "Tanghetto" (formado pelas palavras "tango" e "ghetto" em espanhol) recorda as "pequeñas argentinas", comunidades de exilados no exterior especialmente por motivos políticos e econômicos. No fim de 1998, Max Masri (sintetizadores e programações) começou a trabalhar com Diego S. Velázquez (guitarra) e neste momento começou experimentações em estúdio com faixas de tango eletrônico.
Em 2001, o projeto se tornou a prioridade do duo que completou a formação com Federico Vázquez (bandoneón), Antonio Boyadjian (piano), Chao Xu (violoncelo e instrumento chinês de cordas, chamado erhu) e Daniel Corrado (batería).
Em dezembro de 2004, se editou "Emigrante", que alcançou o disco de platina e durante muitos meses dominou as lojas de discos na Argentina. Em julho de 2004, foi indicado ao Grammy Latino na categoria de "Melhor Álbum Instrumental".
Depois, lançaram discos em projetos paralelos como "Hybrid Tango" (2005), também indicado ao Grammy Latino" como "Melhor Álbum de Tango"). Também em 2005, Tanghetto remixou canções como "Enjoy the Silence" do Depeche Mode, e "Blue Monday" do New Order). Este material foi editado com o nome "Buenos Aires Remixed". O tema "Blue Monday" foi incluído na trilha do filme "A Mulher do Meu Irmão".
Em 2008, o grupo lançou "El Miedo a la Libertad", com nove canções originais e três covers. Depois de turnê pela Europa e Américas, o grupo lançou "Mas Alla del Sur", em 2009.
Correio do Povo - Qual a expectativa de tocar no Brasil? Qual a proximidade da música do Tanghetto com a música brasileira?
Max Masri - Para nós é uma honra poder tocar no Brasil. Em 2009, tivemos a oportunidade de tocar em Rio, São Paulo e Brasília e foi uma experiência excelente. O público do Brasil é muito quente, muito musical e muito respeitoso de novas tendências. Desta vez, tocamos em Florianópolis, Aracaju, Recife, Belo Horizonte e também em Brasília e Porto Alegre. Brasil é tão rico musicalmente, que é difícil escapar aos encantos de sua música, que alguma forma logrou influenciar ao mundo inteiro, sobretudo ritmicamente e harmonicamente. Nos nossos discos "Hybrid Tango" e "El Medo a la Libertad" temos bastantes elementos sonoros e harmônicos em comum com a música brasileira. O que eu mais admiro da música brasileira é o fundamental que foi em enriquecer a música global e em espírito nos encantaria poder seguir estes passos.
CP - Qual a diferença entre o som do Tanghetto e de outros grupos do gênero como Bajofondo e Gotan Project e orquestras como Ultratango e Fernandez Fierro?
Max - Tanghetto surgiu a partir da concepção de ter elementos de musicalidade e composição. Prestamos muita atenção à qualidade melódica e harmônica e este tipo de atitude nos logrou um reconhecimento em níver artístico na indústria com as indicações ao Grammy e ao Prêmio Carlos Gardel. Não derivamos nem da música eletrônica nem da musica tradicional. Tratamos de fazer algo novo e exploramos as raízes musicais da nossa cidade. A fusão se deu pelo feito de fazer música neste tempo e não como uma fórmula. Nós lhe pusemos um nome e este é "eletrotango". Nossa música é nossa, bem portenha e é diferente, surgiu antes que muitas destas bandas ou orquestras, em um estúdio de Constitución, em Buenos Aires.
CP - As releituras eletrotangueiras como "Sweet Dreams", do Eurythmics, "Blue Monday", do New Order, e "Enjoy the Silence", do Depeche Mode, são as responsáveis pela fama do grupo ou existe algum fator preponderante para este sucesso?
Max - Olhe, o nosso disco que mas vendeu na Argentina e fora do nosso país é "Emigrante", nosso primeiro disco, tem dois discos de platina na Argentina e foi nominado ao Grammy Latino. Em "Emigrante" todas as composições são 100% nossas. Os covers nos abriram a difusão nas rádios dos Estados Unidos e da Europa, sobretudo as mais pops ou alternativas, mas nossa música sempre foi o pilar mais importante da nossa carreira. Somos compositores e são estas músicas parte da trilha sonora atual de Buenos Aires, o que escuta nas ruas. Nossa música foi muito bem-vinda no mundo do tango, principalmente pelos bailarinos e DJs. Temos estado em lugares onde só o tango tradicional é permitido como Salon Canning e Homero Manzi. Nossas raízes são o pilar de nossa música e o novo que fazemos com elas nos abriram o caminho para a popularidade.
CP - Fale-nos um pouco sobre o mais recente álbum "Mas Alla Del Sur" (2009). O que o diferencia dos demais?
Max - "Mas Alla Del Sur" é nosso disco mais tangueiro até o momento. Tem um conceito mais acústico, como haviamos feito em "Hybrid Tango" lá por 2005. Desta vez, reexploramos nossas raízes, compusemos uma "La Milonga", tocamos algum tango tradicional como "Bahia Blanca" e também nos animamos con "Zita" composta pelo maestro Astor Piazzola. Assim como em "Hybrid Tango" transcendeu o tangueiro e logrou uma influência em artistas do gênero. "Mas Allá Del Sur" é conceitualmente um abraço às raízes, mas de um lugar objetivamente atual.
CP - Conte-nos sobre quais músicas que vão compor o set list dos dois shows em Porto Alegre.
Max - Estamos em turnê promovendo nosso novo disco "Mas Alla Del Sur". Estivemos por 15 ciudades da Europa em março e abril, vindo de lá diretamente ao Brasil. Faz tempo que queremos tocar em Porto Alegre. Vamos trazer o mesmo show que brindamos o público na gira europeia. Vamos tocar o material de nossos quatro discos, mais algumas surpresas. Estamos muito contentes e ansiosos por este show.
CP - Vocês conhecem um pouco de Porto Alegre, que dizem ser a mais portenha das cidades brasileiras?
Max - Sabemos que Porto Alegre tem uma conexão muito especial e coisas em comum con Buenos Aires. As pessoas que nos têm visitado sempre se sentem em casa. Temos muita vontade de conhecer a cidade e seu público e esperamos ter uma boa oportunidade para intercambiar emociones entre o Tanghetto e o público. Faz muito tempo que recebemos muitos e-mails dizendo-nos que teríamos que tocar em Porto Alegre. Tudo isto se converteu em ansiedade que está virando realidade neste sábado.
CP - Quem são os principais mestres de vocês?
Max - Eu estudei com Virgilio Exposito, na década de 90. Ele era um grande maestro de tango,compositor de clássicos como "Naranjo en Flor", um homem sempre aberto ao novo, sem preconceitos, uma lenda da música e uma excelente pessoa. Ele queria que o tango ressurgisse e nós de alguma forma conseguimos ajudá-lo com isso.
CP - O que vocês estão escutando atualmente?
Max - Escutamos de tudo, muitíssimo tango sem nenhum preconceito, graças a nossa própria música é que começamos a revalorizar e já não vê-lo como algo do passado senão atemporal. Somos muito ecléticos, podemos escutar artistas como Ryuichi Sakamtoo, Keith Jarret, Goldfrapp, Tom Jobim, Radiohead. Somos ecléticos como a nossa música.
"Estávamos ansiosos para tocar aqui", diz líder do Tanghetto
Grupo se apresenta nos dias 1º e 2 de maio na Capital