A Suíça encerrou um dos casos de extradição mais polêmicos envolvendo celebridades. Roman Polanski, que estava em prisão domiciliar em um chalé desde dezembro de 2009, foi liberado nesta segunda-feira. O cineasta foi julgado em 1977 por manter "relações sexuais ilegais" com uma adolescente de 13 anos e não aparece em solo norte-americano há décadas.
Roman Polanski agradeceu nesta segunda-feira com um "imenso obrigado" a todos os que o apoiaram, e afirmou que não falará publicamente sobre a decisão da justiça suíça de libertá-lo, numa declaração do cineasta transmitida à AFP por seu advogado Hervé Temime. O advogado recusou-se a dar informações sobre o local para onde foi o cienasta, aguardado por fotógrafos e jornalistas diante de sua casa, em Paris.
Já o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou sua "decepção" com a decisão do Ministério da Justiça suíça de rejeitar a extradição de Roman Polanski, que enfrentava acusações de abuso por manter relações sexuais com uma menina de 13 anos em 1977.
"Estamos decepcionados com isso", disse o porta-voz do Departamento de Justiça Philip Crowley, durante conversa com a imprensa. "A violação de uma adolescente por um adulto deve ser considerada crime. Continuaremos em busca de justiça para este caso e avaliaremos as opções."
Governo Suíço
O anúncio da liberação do cinesta, que estava em prisão domiciliar, foi dado pelo Ministério da Justiça nesta segunda: "O diretor franco-polonês Roman Polanski, de 76 anos, não será extraditado para os EUA. As medidas de restrição de liberdade contra ele serão revogadas".
A Suíça atribuiu a decisão em boa parte ao fato de as autoridades norte-americanas não terem fornecido depoimentos confidenciais do processo em que Polanski foi condenado, entre os anos de 1977 e 1978.
O cineasta é autor de filmes como "O bebê de Rosemary", "Chinatown" e "O Pianista". Recentemente, lançou "O Escritor Fantasma", pelo qual levou o Urso de Prata no Festival de Berlim. Durante a prisão domiciliar nos Alpes Suíços, Polanski afirmou em comunicado "os Estados Unidos continuam a pedir minha extradição mais para me servir em um prato para a mídia mundial do que para me declarar culpado por um ato ocorrido 33 anos atrás."
Atriz britância também acusa cineasta
Em maio, atriz britânica Charlotte Lewis, de 42 anos afirmou que foi "abusada sexualmente" pelo cineasta em Paris, em 1982, quando tinha 16 anos. A atriz, conhecida no Brasil pelo filme "O rapto do menino dourado", afirmou na época que decidiu relatar o ocorrido para contrariar as alegações da equipe de defesa de Polanski de que o caso pelo qual é julgado foi um incidente isolado.
"Eu também sou uma vítima de Roman Polanski. Abusou sexualmente de mim da pior maneira possível quando eu tinha apenas 16 anos, quatro anos depois de ele fugir dos Estados Unidos para evitar ser julgado por seus crimes", disse Lewis em uma declaração preparada com antecedência.
Estados Unidos perdem queda de braço para Polanski
Justiça norte-americana queria a extradição do cineasta, que teve relações sexuais com uma adolescente de 13 anos em 1977