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Este cara vai tocar Raul

Renato Ignácio fala sobre musical "Viva Raul", com apresentações em NH e Porto Alegre

Renato Ignácio já vivia Raul em banda há seis anos
Renato Ignácio já vivia Raul em banda há seis anos Foto : David Sassi / Divulgação / CP
Há 26 anos, o Brasil perdia um dos seus músicos mais irreverentes, um dos pais do rock e da contracultura no país, um Maluco Beleza, uma Metamorfose Ambulante. A força de Raul Seixas é tão grande que em muitos shows de gêneros diferentes e de músicos que não tem nada a ver com o baiano, algum maluco grita de forma nonsense, em alto e bom som: "Toca Raul!".

Para recriar a obra e a mística em torno da sua carreira, o diretor Carlos "Branco" Gualberto convidou o músico paulista de Poá, Renato Ignácio, de 40 anos para personificar Raulzito em "Viva Raul - o Musical", que tem apresentações nesta quinta, às 21h, no Teatro da Feevale (RS 239), em Novo Hamburgo, e na sexta, às 21h, no Teatro do Bourbon Country (Tulio de Rose, 80), em Porto Alegre. Ingressos nos locais, pelo site e call center 4003-1212.

O musical é um passeio pela carreira do músico baiano que morreu em 21 de agosto de 1989, relembrando desde o impacto inicial como artista solo (“Let me sing”, que o baiano defendeu no Festival Internacional da Canção de 1972) até seus últimos hits já no fim dos anos 1980, como “Cowboy Fora da Lei”. O repertório organiza 23 canções em que não faltam "Metamorfose Ambulante", "Maluco Beleza", "Al Capone", Gita", "Sociedade Alternativa" e "Trem das Sete".

A banda é formada por Renato Ignácio (violão, guitarra e voz), Marcos Correia (baixo), Izac Satim (percussão), Charlô (bateria), Junior Ribeiro (guitarra), Helinho Duka (guitarra), Paulo Ungaro (teclados), Fernanda Souza e Letícia Lima (backing vocals). A recriação das músicas de Raul é completada pelo trabalho de luzes e grafismos, que cria os ambientes propícios para a execução dos principais clássicos de Raul durante cerca de 1h50min.O grande desafio foi dar unidade a canções de fases diferentes, mantendo-as fiéis aos arranjos originais dos álbuns clássicos, mas buscando a vitalidade do palco.

Em entrevista ao Correio do Povo, Renato Ignácio fala do desafio de trazer Raul de volta e detalhes do musical.

Correio do Povo - Qual foi o maior desafio de viver Raul e interpretar as músicas dele?
Renato Ignácio - Eu estou há seis anos com uma banda que toca Raul, pois todo mundo me achava parecido com ele e reconhecia as músicas deles nas minhas. Me apaixonei por reviver o Raul e aí tive o convite do Branco (Carlos Gualberto) para fazer este musical. O mais difícil foi recriar a interpretação única dele, a entrega e também interagir com tudo o que ele fez, as letras maravilhosas, interpretações que ficam entre a loucura e a lucidez. Para o musical, tive que me entregar totalmente ao trabalho. Era como se estivesse vivendo uma outra vida, a de Raul.

CP - Como foi a pesquisa para o espetáculo?
Renato - Pesquisei muitos vídeos e fotos, desde o figurino, como a roupa do carimbador maluco até coisas que ele dizia nos shows. Tinha algumas coisas difíceis que era sincronizar as mesmas palavras com o tempo de letra. Eu conheci algumas pessoas que conviveram com o Raul Seixas, como um baterista da primeira banda dele, mas não usei tanto o material pessoal. Com o roteirista Ricardo Alexandre, fizemos quatro vídeos que são exibidos entre as músicas em que interpretei o Raul com as roupas de época, procurando o seu lado mais místico, o da mesa bar, conversando com as pessoas como se fossem as imagens da época.

CP - Dê-nos alguns detalhes sobre o musical.
Renato - Na verdade, a gente passa por toda a carreira, os pontos altos, os principais hits. O critério era privilegiar as fases da história, com músicas e momentos que mais tocam ao público. São 23 canções e quatro vídeos, com a duração entre 1h50min e 2h. Queríamos trazer com apoio de luzes, grafismos, figurino a reconstituição deste pedaço importante da história do rock brasileiro, com um dos seus personagens mais significativos. Neste musical levamos a energia e a visceralidade do Raul. Creio que os gaúchos vão se emocionar com o que preparamos.

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