Esta experiência levou-a a imaginar "mortalhas", de seda e linho, envolvendo o corpo e a cabeça dos mortos, como forma de, espera ela, oferecer conforto a eles para a última viagem.
Quando Pia conta que desenha roupas para os mortos, as pessoas imaginam, com frequência, que se trata de tentativas de disfarces exagerados. "Não é nada disto. Levo em consideração as obrigatoriedades de vestimentas destinadas aos que vão ser enterrados", diz. "As relacionadas ao meio ambiente são fundamentais: não se deve poluir a terra com plásticos. É preciso também ter certeza de que o tecido escolhido é belo e conveniente à pessoa morta".
Antes de decidir estudar moda, Pia trabalhou um tempo com ergoterapia, onde descobriu diferentes tipos de materiais de moldagem, como o plástico usado para cobrir a epiderme de pessoas severamente queimadas. Ela chegou mesmo a fabricar uma roupa com este material. A atração pela morte levou-a a trabalhar com fibras biodegradáveis, de aparência sólida mas que se decompõem junto com o corpo.
Pia realizou pesquisas com diversos tecidos até chegar às atuais peças | Crédito: William West / AFP / CP
O hábito na Austrália de enterrar as mulheres com belos tailleurs e os homens, com ternos, algumas vezes de chinelos, a deixava pouco à vontade. "No final das contas, você termina como um esqueleto vestido em roupa de poliéster", comenta.
Pia realizou longas pesquisas sobre tecidos, chegando até a enterrar 20 cadáveres de porcos vestidos para testar a degradação dos materiais. Depois de um ano, a estilista os desenterrou, progressivamente, observando o comportamento dos tecidos e do animal. Ela gostaria de expor as criações, mas sabe das dificuldades para obter autorizações.