Depois de ser premiado em diversos festivais, o longa-metragem brasileiro “A Primeira Morte do Joana” estreia amanhã nos cinemas. Com direção de Cristiane Oliveira, gaúcha radicada em São Paulo, o longa-metragem acompanha uma adolescente de 13 anos, Joana (Letícia Kacperski), que passa por transformações e descobertas, questionando os comportamentos da sua família e da comunidade em que vive, no Sul do Brasil.
Rodado em Osório e Santo Antônio da Patrulha, a paisagem conta com as hélices do parque eólico, que mostram movimento em um lugar em que aparentemente tudo é tranquilo, mas interiormente as mulheres da família vivem seus dilemas.
A narrativa se passa em 2007. Questionada sobre a escolha do ano em que história ocorre, Cristiane, que está em Porto Alegre para o lançamento do filme, explica que escolheu esse período por ter havido um fato histórico na região, a instalação e início das operações do Complexo Eólico de Osório. “A região das lagoas no Rio Grande do Sul é vista, muitas vezes, como uma região de passagem”, observa a diretora. Naquela área, existe tanto localidades de colonização alemã, com muitos luteranos, em que turistas que vão para o litoral param para comprar cucas e outros produtos da culinária local.
Ao mesmo tempo, lá existe o Quilombo do Morro Alto, mostrando culturas diversas. “É uma paisagem em transformação”, conclui. Foi nesta área em que ela esteve, quando era mais jovem, em um velório que foi realizado em uma casa, com caixão aberto. “Aquela experiência me marcou”, contou a cineasta. E, a partir daí, nasceu a ideia da personagem Rosa, uma tia-avó da protagonista que morre. Rosa faleceu aos 70 anos e nunca teve um namorado. Isso intriga Joana, que resolve fazer uma investigação sobre o passado da parente e para isso conta com a ajuda de uma amiga, Carolina (Isabela Bressane).
A morte no filme está relacionada à transformação, revela a diretora, que complementa: “um poema do Mario Quintana, que inspirou o título do filme, diz que ‘amar é mudar a alma de casa’”. O roteiro, escrito por Cristiane e com colaboração com Silvia Lourenço, foi elaborado a partir de trocas de memórias e de observação. “A energia eólica é a inovação. O vento está associado ao afeto, é uma força natural que ‘tem vontade própria’”, explica a cineasta, relacionando o tema com a transformação que Joana passa em seu amadurecimento. A partir daí, o longa aborda múltiplas questões, como gênero, autoestima, diálogos, educação e saúde. Com uma estética delicada, o filme traz uma história sobre coragem.
Durante sua passagem por festivais desde 2021, quando o foi finalizado, o filme recebeu 11 prêmios, sendo três deles no 49º Festival de Cinema de Gramado: Melhor Longa pelo Júri da Crítica, Melhor Fotografia (Bruno Polidoro) e Melhor Montagem (Tula Anagnostopoulos).