Arte & Agenda

Estreia, em Porto Alegre, a ópera inspirada no Castelinho da Bronze

A Orquestra da Ulbra e a Cia. Ópera Brasil apresentam ópera inédita baseada na história da mulher que foi enclausurada no local

Deizi Nascimento (soprano), Daniel Germano (baixo-barítono) e Yasmini Vargaz (soprano) integram a equipe da ópera
Deizi Nascimento (soprano), Daniel Germano (baixo-barítono) e Yasmini Vargaz (soprano) integram a equipe da ópera Foto : Pedro Matz / Divulgação / CP

A Cia. Ópera Brasil e a Orquestra de Câmara da Ulbra apresentam a estreia mundial da ópera inédita “A Prisioneira do Alto da Bronze”, baseada na história real de Nilza Linck (1923–2021). A obra, cantada em português, tem libreto de Pedro Longes e música de Jean Lopes Baiano. A montagem reúne solistas, coro e a Orquestra de Câmara da Ulbra, sob regência de Tiago Flores e direção cênica de Henrique Cambraia. As apresentações serão nos dias 25 e 26 de novembro de 2025, às 20h, na Associação Leopoldina Juvenil (rua Marquês do Herval, 280), em Porto Alegre.

Ambientada na Porto Alegre dos anos 1950, a ópera em dois atos narra a história de Elsa Laufer (interpretada por Yasmini Vargaz), mulher livre e sonhadora, que vive reclusa após envolver-se com José Alfredo (Daniel Germano), político influente e casado, que a seduz com promessas de amor e casamento jamais cumpridas. A esposa dele, Rosa Cardoso (Deizi Nascimento), enfrenta o escândalo e a humilhação pública, enquanto Elsa se vê aprisionada entre o desejo, a esperança e a solidão. É o retrato musical de uma mulher que transforma a dor em voz e a desilusão em libertação.

“A estreia de uma ópera é um marco significativo. Antigamente, quando uma nova ópera era anunciada, gerava grande expectativa e mobilização na sociedade. Era um evento que reunia artistas, intelectuais e o público em torno de uma obra que refletia os sentimentos e as questões do seu tempo. Hoje, ao apresentar ‘A Prisioneira do Alto da Bronze’, estamos não apenas dando voz a uma história que faz parte da memória e do imaginário de Porto Alegre, mas também resgatando essa tradição de celebração e reflexão coletiva através da música.”, comenta o maestro Tiago Flores.

A PRISIONEIRA

A história da prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze gira em torno de Nilza Linck, que, ainda jovem, aos 18 anos, conheceu Carlos Eurico Gomes, político da época. Carlos construiu um castelo em Porto Alegre (na esquina das ruas Vasco Alves e Fernando Machado) e manteve Nilza sob rígida vigilância durante quatro anos, impedindo-a de se aproximar das janelas e controlando seus movimentos com ciúmes, mesmo sendo casado. Nilza vivia cercada de luxo, mas era constantemente ameaçada por Carlos. Por isso, Nilza acabou conhecida como “Rapunzel” na lenda urbana formada em torno de sua história.

Em 1952, Nilza deixou Carlos Eurico. O prédio foi vendido posteriormente e transformado em boate, entre outras funções. A história de Nilza e seu relacionamento com Carlos foram registrados no livro “A Prisioneira do Castelinho do Alto da Bronze” (1993), do jornalista Juremir Machado da Silva, baseado em depoimentos da própria Nilza. Ela se casou novamente, adotou uma filha e, até os últimos anos de sua vida, visitava o castelo.

O Castelinho do Alto da Bronze foi construído na década de 1940, em estilo eclético, com inspiração medieval. O prédio é uma das edificações mais emblemáticas da área central de Porto Alegre.

SERVIÇO:

Ópera “A Prisioneira do Alto da Bronze”

Datas: dias 25 e 26 de novembro de 2025, às 20h

Local: Associação Leopoldina Juvenil (rua Marquês do Herval, 280), em Porto Alegre.

Ingressos: plataforma Sympla

Ficha técnica

Direção artística: Yasmini Vargaz

Libreto: Pedro Longes

Música: Jean Lopes Baiano

Regência: Tiago Flores |

Direção cênica: Henrique Cambraia

Assistente de direção: Latícia Krenzinger

Figurino: Daniel Lion

Iluminação: Veridiana

Cenografia: Eduardo Menna e Vitor Ferreira

Acessórios: Letícia Kleemann.

Elenco

Elsa Laufer: Yasmini Vargaz (soprano)

José Alfredo: Daniel Germano (barítono)

Rosa Cardoso: Deizi Nascimento (soprano)

Lucila, a governanta - Ana Carla de Carli (mezzo)

Gabriela, a camareira - Priscilla Ramos (soprano)

Coro:

Sopranos

Ana Carla de Carli (mezzo)

Deizi Nascimento (soprano)

Priscilla Ramos (soprano)

Mezzo

Raissa Rochadel

Contratenor

Rodrigo Bloch

Tenor

Daniel Schilling

João Benetti

Oritz Campos

Atores:

Eduardo Schenini

Gabriele Rigon

Jorge Luiz Rocha

Júlia Batista

Karla Quintana

Leila Pereira

Letícia Kleemann

Letícia Krenzinger

Oritz Campos

Queli Cambraia

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