Entra em cartaz o filme “Downton Abbey II: Uma Nova Era”, dirigido por Simon Curtis, nos cinemas. Esta é a sequência do filme de 2019 e é baseada na série “Downton Abbey” (2010-2015), com roteiro de Julian Fellowes.
A história é ambientada na década de 1920 e acompanha a família aristocrata britânica Crawley. No filme de 2019, a família e seu empregados entraram em polvorosa porque o rei e a rainha da Inglaterra comunicaram que iriam se hospedar na propriedade durante uma viagem pelo país.
Neste novo filme, são dois os desafios. O primeiro é uma revelação da Condessa Viúva, interpretada por Maggie Smith (com seu usual carisma e talento). Ela chama seu filho e sua neta mais velha para contar um segredo que não revelou por anos: ela herdou uma “villa” no sul da França. A viúva conta que passou um período por lá com o dono do local. Depois ele lhe escreveu contando que lhe deixaria a propriedade, mas ela achou que fosse uma brincadeira. A família decide investigar o caso e isso envolverá remexer no passado.
O outro desafio é uma proposta para que a propriedade Downton sirva como locação de um filme. Em um primeiro momento, a família não se mostra favorável à ideia. Mas o telhado da mansão precisa de reformas e a argumentação de Lady Mary (Michelle Dockery), que vai tomando a liderança da família, faz o pai ceder. Desta forma, o castelo recebe técnicos, atores e diretores. Aproveitando que parte da casa está sendo utilizada como um set, alguns membros da família decidem viajar até o sul da França para esclarecer a questão sobre a herança para a matriarca, que, devido à idade avançada, não viaja junto.
Este pequeno grupo resolve levar o mordomo, Sr. Carson (Jim Carter), que estava aposentado mas é chamado a retornar à ativa. Este personagem, que carrega consigo toda a fleuma e etiqueta britânicas, é o que mais vai estranhar a mudança de ambiente. O tom sarcástico e levemente cômico do filme tem sua ênfase nos diálogos. E alguns deles despontam na rivalidade entre ingleses e franceses.
Enquanto isso, na Inglaterra, a equipe técnica do filme se vê frente a um problema. Enquanto a rodagem ocorre o cinema falado começa a fazer sucesso e o mudo fica sem procura nas bilheterias. A produtora chega a pensar em desistir do projeto, que foi planejado como mudo. Mas Lady Mary e os empregados da casa ajudam o diretor a seguir com as filmagens, mas com adaptações. Em Downton, a estrela do filme mudo, uma linda atriz platinada e antipática (Laura Haddock), tem dificuldades em decorar os diálogos e problemas de dicção. A solução é improvisar uma dublagem.
Esta temática, da transição do cinema mudo para o falado e a necessidade de dublagem para algumas estrelas do cinema mudo já foram abordadas por clássicos como "Cantando na Chuva" (1952), quando Debbie Reynolds tinha de "emprestar" a voz para Jean Hagen. Apesar de não ser o assunto central de “Downton Abbey II”, estas sequências resgatam o período, reforçando a classificação de “filme de época”. Como diz uma das falas de Maggie Smith, “a vida é superar o inesperado”. Esta é uma das mensagens sábias da trama.