Esta semana chegam aos cinemas estreias que surgem como um pequeno mapa de possibilidades. Hollywood, Brasil, animação, ficção científica, memória política e literatura dividem espaço numa programação que mostra como o cinema continua capaz de reunir mundos muito diferentes na mesma sala.
Entre as produções de maior apelo comercial está “O Fim da Rua”, de David Robert Mitchell, diretor de “A Bruxa de Blair” e “Under the Silver Lake”. Com Anne Hathaway e Ewan McGregor, o filme parte de um casal aparentemente comum, Denise e Greg, vivendo crise conjugal enquanto tenta administrar a rotina com dois filhos adolescentes. Ambientada nos anos 1980, a produção mistura aventura, ação e ficção científica. O interessante está justamente nessa combinação. O que começa como drama familiar pode ganhar dimensões inesperadas. A nostalgia da década não é apenas estética. Pode funcionar como portal para discutir relações, medo, passagem do tempo e limites entre vida doméstica e o extraordinário.
Já “A Morte de Robin Hood”, de Michael Sarnoski, coloca Hugh Jackman no papel do lendário fora da lei. Mas a proposta não é simplesmente revisitar o herói. Robin Hood aparece atormentado pelo passado de crimes e assassinatos. A aventura se torna drama psicológico e questiona o que resta de um mito quando a culpa passa a ocupar o lugar da lenda.
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Para o público infantil, “Patrulha Canina: Uma Aventura Dino” combina humor, aventura e fantasia. Uma tempestade leva os personagens a uma ilha desconhecida, onde encontram Rex, um filhote de dinossauro. A fórmula é familiar, mas reafirma a força das franquias infantis em atravessar gerações e transformar personagens de outras telas em experiências coletivas no cinema.
O Brasil amplia esse mosaico. Em “Colegas e o Herdeiro”, Marcelo Galvão retoma personagens do universo do premiado e aplaudido “Colegas”, visto no Festival de Gramado, para acompanhar Stalone, jovem ator com síndrome de Down que acredita ser o legítimo herdeiro de um hotel em Punta del Este. O filme coloca pertencimento, autonomia e inclusão no centro da aventura, sem reduzir seu protagonista à deficiência.
A memória política aparece em “Honestino”, um documentário dirigido por Aurelio Michiles sobre Honestino Guimarães, líder estudantil da UnB assassinado pela Ditadura Militar aos 26 anos. Recuperar sua trajetória é também olhar para o presente e perguntar o que as novas gerações podem aprender com quem lutou pela liberdade.
E uma das experiências mais literárias da semana é “Rio de Clarice”, dirigido por Eunice Gutman, Maria Luiza Aboim e Taciana Oliveira. Inspirado em contos e textos de Clarice Lispector, o filme leva às telas personagens e conflitos de obras como “Feliz Aniversário”, “Mal-estar de um Anjo”, “A Bela e a Fera”, “Amor” e “Preciosidade”. Letícia Spiller, Lucélia Santos e Letícia Isnard estão no elenco que transforma a literatura em matéria cinematográfica sem abandonar suas zonas de silêncio, desconforto e ambiguidade.
Confira o vídeo: