Arte & Agenda

Estreias de cinema em 2026 que chegam para provocar

Alguns dos lançamentos já programados para o próximo ano nas telas dos cinemas surgem na esteira dos movimentos entre o “streaming” e os cinemas

"O Morro dos Ventos Uivantes", reimaginado pela mente voluptuosa de Emerald Fennell
"O Morro dos Ventos Uivantes", reimaginado pela mente voluptuosa de Emerald Fennell Foto : Warner Bros. / Divulgação / CP

O ano de 2026 promete ser aquele em que o cinema para de pedir licença e volta a cutucar o espectador. Com unhas, dentes, pixels, trilhas e estrelas. As distribuidoras sabem: não existe mais espaço para filmes mornos. Por isso, o calendário chega pesado, ambicioso e, acima de tudo, provocador.

Abrindo janeiro, “Terror em Silent Hill: Regresso Para o Inferno” traz Christophe Gans de volta ao território enevoado que o consagrou. Jeremy Irvine e Hannah Emily Anderson caminham por uma Silent Hill menos cidade e mais alucinação coletiva. Clima de pesadelo feito de culpa, perda e monstros que parecem sussurrar segredos que preferiríamos não ouvir. É a franquia renascida, com Gans reafirmando que o terror psicológico é, antes de tudo, um espelho rachado.

No mesmo mês, o tom muda radicalmente com “Song Sung Blue: Um Sonho a Dois”, de Craig Brewer. Hugh Jackman e Kate Hudson cantam, tropeçam e se reinventam num tributo que parece um abraço tardio a quem desistiu dos próprios sonhos. Brewer transforma música em cura e resistência. Surge novo filme que respira humanidade quando a indústria insiste em algoritmos.

Ainda em janeiro, o caos cômico-biótico de “Alerta Apocalipse” chega com Joe Keery, Georgina Campbell e Liam Neeson enfrentando um fungo homicida. É sátira, é ação, é paranoia científica temperada pelo humor ácido de David Koepp. Um filme que ri do fim do mundo antes que ele ria de nós.

Logo depois, o suspense toma forma em “Segredo Obscuro”, onde Elisabeth Moss mergulha no terror elegante de Max Minghella. É uma história sobre ambição, manipulação e o culto moderno ao bem-estar. Aquele que diz “respire fundo” enquanto esconde cadáveres atrás do mármore branco.

E então fevereiro explode em intensidade com “O Morro dos Ventos Uivantes”, reimaginado pela mente voluptuosa de Emerald Fennell. Margot Robbie e Jacob Elordi transformam Catherine e Heathcliff em criaturas de desejo bruto, embalados por Charli XCX numa tempestade sensual que Emily Brontë, autora do romance em questão, jamais sonhou mas certamente aprovaria.

Também em fevereiro, “A História do Som” chega como um sussurro poético. Paul Mescal e Josh O’Connor transformam música folk em memória, desejo e descoberta. É cinema sensorial, feito de texturas, silêncio e canções que parecem carregar séculos. A produção foi apresentada na edição 2025 da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e causou muitos comentários por parte do público e da crítica.

Em março, a potência de Maggie Gyllenhaal acende dinamite estética com a chegada de “A Noiva!”. Jessie Buckley e Christian Bale dão vida a um romance gótico que reescreve mitos, religiões e moralidade com a delicadeza de um trovão. Um Frankenstein para a nova era, que surge feminino, furioso e deliciosamente indomável.

Também em março, a produção “Devoradores de Estrelas” chega com o desejo de se transformar no grande terremoto do ano. Ryan Gosling, perdido a anos-luz da Terra, confronta não apenas inteligências alienígenas, mas os limites da arrogância humana. Lord e Miller transformam ficção científica em filosofia pop, lembrando que o universo não gira ao redor do nosso ego.

Abril traz dois gigantes: “Super Mario Galaxy: O Filme”, a expansão intergaláctica da parceria Illumination–Nintendo, e “Michael”, a cinebiografia de Antoine Fuqua sobre o Rei do Pop — com Jaafar Jackson recriando um mito que o mundo ainda não conseguiu entender por completo.

E o ano segue assim, de forma quase insolente, com histórias que desafiam, provocam e exigem algo do público. Entre outros lançamentos, 2026 não será um ano comum no cinema. Será um lembrete, ou uma advertência de que a arte ainda sabe nos surpreender. E, se necessário, nos sacudir.

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