"Estava prestes a rodar um filme com Gérard Depardieu. Tudo estava preparado, mas não me senti capaz de fazê-lo (...) Foi uma decisão natural", disse o cineasta de 80 anos, que afirmou não querer tornar-se "uma dessas velhas senhoras que saem de salto alto e batom nos lábios para ficar junto aos jovens".
"Não consigo mais viver o mundo do cinema como antigamente, com alegria e leveza. Há certas lógicas da produção e da distribuição que não têm mais a ver comigo", explicou ele. "Para mim, é fundamental ter liberdade de escolher e renunciar. Começava a me sentir obrigado a respeitar regras que não me faziam mais sentir livre", acrescentou.
"Hoje, é o mercado que faz as escolhas. Antes, era também importante, mas dava grandes espaços à autonomia. Os produtores estavam prontos também para arriscar e experimentar. A crise econômica agravou a situação", lamentou. "Tendo em vista minha idade, sei que fiz o que deveria. Não tenho arrependimentos. Trabalhei sempre com uma grande liberdade. Num certo estágio, é melhor se aposentar", concluiu ele.
Em 1974, Ettore Scola conheceu um enorme sucesso internacional com "C'eravamo tanto amati", "Nós que nos amávamos tanto", um afresco da sociedade italiana após a Segunda Guerra Mundial, dedicado ao amigo, ator e cineasta Vittorio de Sica.
Em 1976, ele recebeu o prêmio de melhor direção do Festival de Cannes por "Feios, Sujos e Malvados" ("Brutti, sporchi e cattivi"). E, em 1977, dirigiu o extraordinário face a face de Sophia Loren e Marcello Mastroianni em "Um dia muito especial" ("Una giornata particulare"). Em 1980, o Festival de Cannes o recompensou novamente com o Prêmio de Melhor Roteiro por "O Terraço" ("La Terrazza").