Não se fazem mais shows como antigamente. Não vou dizer definitivamente, mas você ir a um espetáculo de heavy metal e ficar 90 minutos sentado numa confortável poltrona, não ficar suando e nem fedendo a cigarro...é, muita coisa mudou. Sem contar que quando comecei a ir aos shows de heavy metal, o público feminino era infímo e as gurias não eram tão bonitas quanto hoje.
Agora, feitas as considerações iniciais, vamos ao show da banda sueca Evergrey, nessa quinta-feira, no confortável Teatro do Ciee. O local não estava lotado, cerca de 250 pessoas. Mas não era um show para iniciados. Evergrey é daquelas bandas que pouca gente conhece, mas quem conhece curte muito. O espetáculo, programado para às 22h, começou com apenas 10 minutos de atraso. A abertura foi com Leave it Behind Us. E o som estava ruim, truncado mesmo. E nenhum de seus cinco integrantes é um virtuose, tanto que dispensam aqueles solos de bateria e guitarra intermináveis durante a apresentação.

Mesmo assim, os headbangers não se importaram e decidiram ficar de pé ali na boca do gargarejo. A banda, que está lançando o oitavo disco, Glorious Collision, e liderada pelo vocalista e guitarrista Tom S. Englund, aliás, muito comunicativo com o público, não esqueceu nenhuma das músicas preferidas da galera, como Wrong, The Masterplan, I'm Sorry, More Than Ever, Blinded e Solitude Within. Aliás, letras sombrias e depressivas. Mas quem se importa? O pessoal cantou junto, e alguns mais entusiasmados berravam a plenos pulmões. Faltou alguém se jogar no palco. A finaleira foi com a clássica da banda, A Touch of Blessing, do disco The Inner Circle, de 2004. Foi uma apresentação regular, nada de extrordinária, mas honesta.
Antes de sair do palco, Englund fez um sinal de que a banda iria receber todo mundo na saída do camarim. E foi todo mundo para lá pegar seus autógrafos, fotos e bater um papo com os músicos. Antes da meia-noite, os headbangers, todos trajando suas indefectíveis camisas pretas com nomes de suas bandas preferidas, já estavam voltando para casa. É, não se fazem mais shows como antigamente.