Arte & Agenda

Ex-morador de rua, diretor tcheco leva para as telas experiência das ruas em “Garota América”

Filme tem première latino-americana nesta quarta-feira dentro da programação do Fantaspoa

Antes de chegar às telas como um filme, história de "Garota América" foi uma peça de teatro
Antes de chegar às telas como um filme, história de "Garota América" foi uma peça de teatro Foto : Divulgação / CP

Na virada dos anos 1980 para os 1990, a então Tchecoslováquia foi palco de mudanças profundas, com a deposição do governo comunista, assim como ocorria com outros países da região em função do desmantelamento da União Soviética. No caso tcheco, o processo ficou conhecido como a Revolução de Veludo. Não levou muito tempo até que as novas forças evidenciassem alguns problemas. Entre eles, o aumento da população de rua.

Desses, a quase totalidade era formada por crianças e adolescentes que antes eram abrigados em orfanatos e reformatórios, que agora sem o financiamento estatal, fecharam as portas. Entre estes novos sem-teto estava Viktor Taus que em determinado momento encontrou alguém que mudaria a sua vida e muitos anos depois, viraria a inspiração para “Garota América”, filme que tem première latino-americana nesta quarta-feira às 20h30min, na Cinemateca Capitólio, dentro da programação do Fantaspoa, e depois volta para uma última sessão, no sábado, às 13h.

“Não havia mais lugar para mim nas ruas”

"Tudo nesse filme é verdadeiro: a história, os personagens, as cicatrizes. Conheci essa garota quando morávamos nas ruas de Praga nos anos 1990. E encontrá-la salvou a minha vida, literalmente. Porque a conheci em circunstâncias muito difíceis”, conta o diretor tcheco, que prossegue: “E ela tinha essa energia incrível, cuidava muito das pessoas ao seu redor. E tinha ao mesmo tempo um talento incrível de contar a sua história e explicar como chegou ali, mas ao mesmo tempo não tinha habilidade para atuar em suas próprias observações”.

A importância do encontro foi tamanha que Taus tomou aquela que talvez seja uma de suas decisões mais importantes da vida. “Fiquei obcecado em compreender a natureza humana. Essa coisa que cria diferenças entre pessoas numa mesma situação e que só uma delas é salva. Então desde aquele momento sabia que não havia mais lugar para mim nas ruas porque eu precisava contar essa história”, explica.

Drama tem elementos fantásticos e cores berrantes

O caminho até “Garota América” chegar às telas, no entanto, foi longo, bem longo. Primeiro, era necessário tempo para que Taus maturasse tanto o conteúdo como a forma, o que levou mais de uma década. Por questões financeiras, a primeira versão não foi no cinema, mas sim no teatro. A trama, no entanto, foi mantida e é a que chega hoje a Porto Alegre. Nela Emma cresce sem os pais e vai parar num orfanato. Chega a ser adotada, mas seu comportamento rebelde a coloca num reformatório. Em paralelo a tudo isso, mantém a esperança de que o pai esteja à espera nos Estados Unidos.

Taus transforma tudo isso em drama com elementos de fantasia e uma estética que abusa de cores berrantes. A sessão desta quarta-feira na Cinemateca Capitólio será seguida de uma sessão de perguntas e respostas com a presença de Taus.

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