Adam Fogelson, diretor da divisão de cinema da Lionsgate, adiantou os primeiros detalhes da sequência de "Michael", cinebiografia do astro que já levou mais de 5 milhões de pessoas aos cinemas no Brasil.
Durante uma teleconferência com executivos realizada nesta quinta, 21, Fogelson disse que cerca de 25% a 30% da história já foi filmada, e que os maiores hits da carreira do cantor ainda estão por vir.
"Eu diria que ainda há uma infinidade de histórias divertidas de Michael Jackson, e muitas das partes maiores e mais populares de seu catálogo musical ainda não foram tocadas no primeiro filme", declarou Fogelson. "Estamos muito confiantes de que temos um material incrivelmente divertido que vai ressoar, mais uma vez, com o público do mundo todo."
O que o primeiro filme abordou e o que ficou de fora
O primeiro filme, cuja estreia registrou grande sucesso de bilheteria em abril, conta a trajetória de Michael Jackson do início da carreira ao auge, durante a turnê de "Bad", em 1987. Além de hits como o álbum "Dangerous" (1991), o filme também deixa de fora as alegações de abuso infantil que acompanharam a trajetória do cantor até o fim de sua vida, em 2009.
Fogelson afirmou que partes da história rodadas para o primeiro filme, antes de ser remodelado para excluir as acusações, podem ser aproveitadas para a continuação. Ele sugeriu que a história não precisa ser contada em ordem cronológica, permitindo a inclusão de flashbacks e flashforwards.
"Acreditamos já ter de 25% a 30% do segundo filme rodado a partir da produção anterior, e isso naturalmente traz alguns benefícios [financeiros]", admitiu o diretor.
Críticas e as razões das omissões na cinebiografia
Dirigido por Antoine Fuqua e estrelado por Jaafar Jackson, "Michael" recebeu críticas mistas da imprensa especializada. Alguns analistas observaram que o longa omite aspectos menos convenientes da vida do Rei do Pop, como a "Jacksonmania" que marcou sua estreia mundial.
Passagens que ficaram de fora incluem as acusações de pedofilia que eclodiram em 1993 e a presença de personagens como Janet Jackson, que não autorizou o uso de sua imagem, e Diana Ross, cortada por "questões legais", segundo a atriz Kat Graham.
Em relação às acusações, elas estavam nos planos iniciais de Fuqua e do roteirista John Logan. No entanto, todas as cenas que mencionavam a história precisaram ser removidas do filme devido a um acordo extrajudicial assinado em 1993.
Na época, MJ fez um acordo com a família de Jordan Chandler, adolescente que o acusava de abuso sexual, no valor de US$ 25 milhões (cerca de R$ 125 milhões na cotação atual). Entre os termos, a família exigiu que a situação não pudesse ser mencionada ou dramatizada em qualquer tipo de cinebiografia sobre o astro.
A princípio, grande parte do terceiro ato do filme seria dedicada ao escândalo e seus desdobramentos, mas a história precisou ser reformulada após a descoberta do acordo. "Michael" segue em cartaz nos cinemas brasileiros.