O começo do trabalho é feito com a tela no chão, em que os gestos são soltos e fluem por meio da tinta. Em sua obra estão mescladas experiências reais e fictícias como marco inicial do trabalho, porque o pretexto para a sua criação parte de um objeto real. Segundo Ana Zavadil, “o equilíbrio se dá entre a pintura como vestígio do gesto e a imagem representada, em que as duas passam a ter a mesma potência estética”.
E a curadora aponta ainda que, nesta série de trabalhos, as diferenças e multiplicidades do espaço e do tempo se tornam substância de sua pintura, “onde o tempo se fragmenta em outros tempos: o da imaginação, o do conhecimento técnico, o da verdade da obra e o da percepção. As camadas de tinta acrílica se acumulam criando um corpo consistente gerado do ato de fazer e refazer e onde a imagem principal pode até desaparecer para reaparecer em outro tempo pictórico”. Existe, também, um contraste por meio do preto e do branco que “transborda e verte nos espaços pictóricos trazendo uma sensação de busca inquietante”. Para Bianca Santini as suas pinturas são como janelas “por onde se pode ver através”.