Além de servir de embalagem para o sebo (gordura animal derretida), as bexigas também ganhavam utilidade de entretenimento na região da Campanha. A bola pesava aproximadamente 600 gramas. Ela era usada no início do século 20 durante a introdução do futebol no Estado. Mas há registro anteriores, quando a finalidade eram outras brincadeiras.
Conforme o responsável técnico do Parque Gaúcho, Rodrigo Schlee, existem vários relatos de pessoas idosas que brincaram na infância com as pelotas feitas de bexiga. “Os funcionários de charqueadas e frigoríficos de origem inglesa, como o Anglo, em Pelotas, e a Swift, em Rio Grande, foram os pioneiros do futebol no Rio Grande do Sul. As peladas eram jogadas nos intervalos das matanças”, explica Schlee.
Segundo Schlee, a bola de bexiga era preenchida com o máximo de pelos, como os da cola de bovinos e crinas de cavalo. “Depois, eles atavam a boca com um tento de couro e jogavam o incipiente futebol”, afirma.
O pesquisador explica, no entanto, que o uso de bexiga de origem animal cheia de ar ou pelos para fins recreativos remonta períodos remotos. “Na própria América pré-colombiana, existe registro de um jogo praticado pelos Aztecas utilizando-se de uma pelota similar”, diz.
O resgate da bola do gaúcho é o primeiro evento alusivo ao Mundial de Futebol do Brasil. Além de ficar em exposição no Parque Gaúcho, a BahXucra será testada por alunos de escolinhas de futebol em partidas recreativas na área do parque.
O nome “BahXucra” é uma referência à Brazuca, a bola de futebol oficial da Copa do Mundo do Brasil deste ano. A exposição vai ficar aberta até o final de junho. Schlee contou que o público poderá ver também como as pessoas faziam as bolas na época. O Parque Gaúcho fica na Estrada RS 115, no Km 35, no bairro Várzea Grande. O horário de funcionamento do local é das 10h às 17h.