O espaço multicultural Vila Flores (rua São Carlos, 759) recebe, a partir do dia 19 de julho, a exposição coletiva “Poéticas & Processos”, que reúne os processos criativos de nove artistas visuais de diferentes lugares do Brasil. Ananélia Meireles (DF), Fabiana Gasperin (RS), Giulia Paz (SP), Isabel Marroni (RS), Juliana Dedavid (RS), Marina Alcolumbre (AP), Maria Antonia Fulco (SP), Marina Lazzarotto (RJ) e Leila Bohn (RS - BR / NC – US) trazem seus diferentes olhares questionando os lugares impostos às mulheres contemporâneas. A curadoria é assinada por Ane Valls.
A abertura ocorre neste sábado, dia 19, das 10h às 17h, com roda de choro do grupo É por Aí. A visitação segue até 25 de julho, de terça a sexta-feira, das 9h30 às 18h30, com entrada gratuita.
Entre 22 e 24 de julho, quatro artistas conduzirão oficinas abertas ao público, convidando os participantes a conhecer seus processos criativos. Inscrições gratuitas podem ser feitas aqui.
Da maternidade às memórias, da dança ao bordado
Com ênfase na investigação, as artistas traduzem em suas criações os momentos em que cada uma mergulhou em temáticas diversas, construindo um olhar panorâmico a partir de suas memórias, com recortes históricos e sociais que conversam com as marcas pessoais. Desta forma, contextos históricos, sociais e pessoais impulsionam reflexões e trocas como pontos de partida em busca de respostas e, também, de novas perguntas.
Entre os processos em destaque está o trabalho de Juliana Dedavid, que participa de sua primeira exposição com Maternidade: corpo-testemunho - fotografias digitais e escritos sobre sua experiência com a maternidade (2017-2025).
“O convite para estar junto de artistas mulheres me provoca a inventar um novo nome para aquilo que já produzo como registro de uma vida comum de mulher que é mãe” revela a psicanalista e mãe de Clara e Teo.
Isabel Marroni, com trajetória artística iniciada em 1980, desenvolve uma pesquisa atual que parte da ação de rasgar suas obras anteriores e ressignificá-las. A artista porto-alegrense busca tensionar camadas de procedimentos que envolvem desconstrução e recomposição, ressignificando fragmentos e transformando-os em matéria-prima para novos trabalhos.
Já Marina Lazzarotto traz uma caixa de madeira organizada como uma coleção de curiosidades, contendo desenhos, pingentes, adesivos e anotações que documentam seu processo artístico, além da obra “Roupas de Viver/Morrer” (2022): dois vestidos idênticos, sendo que um foi usado por cerca de quarenta dias, apresentando desgaste e manchas, enquanto o outro permaneceu guardado.
Ao explorar diferentes materiais, técnicas e assuntos, cada experimento é um testemunho do processo de tentativas e avanços, que faz de cada linguagem uma expressão viva, dinâmica e sempre em transformação. O diálogo entre elas é o convite para que o público possa se localizar neste ambiente que favorece a compreensão sobre como uma artista contemporânea trabalha.
“A exposição propõe um espaço onde as poéticas individuais se encontram e dialogam, revelando como cada processo criativo carrega em si questões universais da experiência feminina contemporânea” destaca a curadora Ane Valls, doutora em Artes Visuais pela UFRGS, com pesquisa focada em feminismos e história da arte contemporânea.