Arte & Agenda

Exposição no Memorial do MPRS denuncia violência contra a mulher

Artista gaúcha assina 30 obras que buscam reflexão da sociedade sobre importância do tema

Artista visual gaúcha Graça Craidy reúne 10 anos de obras que denunciam a violência contra a mulher
Artista visual gaúcha Graça Craidy reúne 10 anos de obras que denunciam a violência contra a mulher Foto : Mauro Schaefer

“Me sinto responsável por ser uma espécie de tradutora do meu tempo. No momento em que eu tenho, de certa forma, o domínio de uma linguagem que pode tocar, que pode conscientizar, me sinto na obrigação de usar esse poder, entre aspas, para conscientizar a sociedade do problema, para que as pessoas tomem consciência de que esse problema é grave.” Assim, a artista visual gaúcha Graça Craidy define a motivação da exposição assinada por ela com o objetivo de alertar para a grave questão da violência contra a mulher.

Inaugurada hoje e aberta ao público até 11 de março, mês em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher (em 8 de março), a exposição “Meu bem, meu mal – 10 anos de arte sobre violência doméstica” reúne 30 obras de diferentes coleções assinadas por Graça ao longo de sua trajetória. Os trabalhos podem ser visitados gratuitamente no Memorial do Ministério Público, no centro de Porto Alegre.

O nome da mostra, “Meu bem, meu mal”, é uma referência ao contexto onde acontecem os crimes, dentro do lar, na maioria das vezes, praticado pelo marido, companheiro, namorado ou ex que não aceita a separação. O material representa uma década de pinturas que denunciam violência contra a mulher com suas pinturas. São obras de coleções como a série "Até que a morte nos separe", com retratos das cenas dos crimes de feminicídio coletadas em fotos de noticiários, a série "Livrai-nos do mal", em que aponta as violências referidas pela Lei Maria da Penha, a série "Feminicidas", o machismo que mata, e "Estupro", com assédio masculino, entre outras.

São 30 obras que retratam o grave problema social | Foto: Mauro Schaefer

Conforme a artista, quando começou a abordar o tema, a palavra feminicídio ainda nem era conhecida. “Tive que fazer um banner explicando o termo. Coloquei embaixo dos quadros a foto original da reportagem que inspirou a pintura e o efeito foi devastador. Ao atinarem que aquele não era apenas o retrato de uma mulher dormindo, mas de uma mulher morta, e pior: morta pelo marido ou pelo ex, as pessoas levavam um choque, queriam debater o assunto, entender o que se passava", conta.

“Tem um outro problema grave atrás desta violência, que são os órfãos. Muitas vezes essas crianças ficam órfãs de mãe e pai, enfim, são coisas que precisam ser mudadas pela educação e, de uma certa forma, pela arte. O que penso em fazer é isso, é tocar as pessoas para que, tocadas dessa nova percepção do problema, elas mesmas possam fazer alguma coisa”, revela Graça.

Saiba mais:

  • A exposição vai até o dia 11 de março, de segunda a quinta-feira, das 8h às 19h, e nas sextas, das 8h às 15h, com entrada franca.
  • O Memorial do Ministério Público fica na Praça Marechal Deodoro, 110, no Centro Histórico de Porto Alegre.

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