Em novo capítulo de sua temporada de 2026, o Espaço Cultural do Hotel Praça da Matriz (HPM) abre às 18h do dia 8 de abril (quarta-feira) a exposição “Convergências”, com obras de dois artistas radicados na Suíça. São desenhos e pinturas do senegalês Momar Seck, além de obras em técnica mista do brasileiro Edmundo Timm – este em sua primeira mostra individual.
Timm também está confirmado para o tradicional bate-papo “Roda de Cultura”, iniciativa que aproxima o público e protagonistas do setor. O evento será na próxima terça-feira, dia 14, às 17h, com entrada gratuita a qualquer interessado, mediante reserva pelo WhatsApp (51) 98595-5690 – as vagas são limitadas. Endereço: Largo João Amorim de Albuquerque, 72 (próximo ao Theatro São Pedro), no Centro Histórico de Porto Alegre.
Trajetórias
• Edmundo Timm — O carioca Edmundo Timm é também radicado na Suíça, onde atua desde 1998 como artista plástico autodidata, professor e produtor cultural nas áreas de teatro, dança, música, artes visuais e mindfullness. Já trabalhou também nos Estados Unidos, Alemanha e Honduras, promovendo intercâmbios culturais e conexões em arte contemporânea.
Em Porto Alegre, onde viveu durante boa parte da década de 1980, destacam-se iniciativas como a coordenação do projeto “Travessia” (2018), voltado ao intercâmbio entre jovens da Escola Internacional de Genebra (Ecolint) e a Fundação Pão dos Pobres. Participou, ainda, de montagens de mostras em instituições como o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs).
Sua produção como artista plástico tem se voltado ao abstracionismo por meio de técnica mistas, combinada a abordagens clássicas na criação de uma linguagem moldada pela luz, natureza e movimentos orgânicos. Sobre as obras que escolheu para a exposição “Convergências", ele define como “uma aventura independente sobre a origem do universo , explorando elementos vitais como os oceanos”. São 11 peças que incluem o uso de tinta e resina epóxi sobre madeira, dentre outros materiais.
• Momar Seck — O senegalês Momar Seck reside na Suíça, onde atua como pintor, desenhista e escultor. Diplomado pela Escola Superior de Formação de Professores de Arte de Dakar e pela Escola de Belas Artes de Genebra, é mestre em Artes Visuais pela Universidade de Estrasburgo, na França. Em três décadas e meia de carreira internacionalmente premiada, expôs em galerias e instituições de diversos países – inclusive no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs), em 2018, ao integrar o projeto “Travessias”.
Momar selecionou dez obras para a exposição “Convergências”, no Espaço HPM. Produzido por meio da combinação de desenho e pintura, o conjunto transita entre figuração e abstracionismo, em imagens nas quais linha e cor compartilham a mesma força expressiva. O resultado são silhuetas humanas, formas animais e vegetais, elementos simbólicos e fragmentados, na exploração de conceitos como memória, identidade e movimento.
“Esse trabalho permite construir superfícies texturizadas que refletem a complexidade da experiência, refletindo o interesse por tensões entre presença e ausência, força e fragilidade, intimidade e história coletiva”, ressalta. “Eu o descrevo como um convite a uma paisagem interior, onde a memória pessoal se cruza com narrativas culturais mais amplas.”
Ele aprofunda a questão: “As referências africanas não são meras citações estéticas. Fazem parte de minha sensibilidade, formação e visão de mundo. Mas não me posiciono como artista ‘senegalês’ ou ‘mundial’, mesmo com uma obra além-fronteiras, pois temas como identidade, deslocamento e resiliência são universais. A arte transita hoje entre territórios e, no meu caso, a memória visual de meu continente convive com uma linguagem global contemporânea, não como estratégia e sim realidade vivida, entre tradição e modernidade, local e global, instinto e reflexão”.