Arte & Agenda

Exposição apresenta produção artística de jovens surdos em Porto Alegre

Resultado de oficinas de arte realizadas no Espaço Força e Luz, a exposição “Liquidificador deaf art” tem abertura marcada para dia 14 de dezembro, às 15h. A entrada é gratuita.

Na exposição, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) poderá ser vista como uma coreografia
Na exposição, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) poderá ser vista como uma coreografia Foto : Daniele Espinosa / Divulgação / CP

Os sábados dos últimos três meses tiveram destino certo para um grupo de vinte jovens: eram os dias de oficina do projeto Corpo-significante, um laboratório artístico voltado para jovens surdos. A cada encontro, linguagens artísticas diversas foram vivenciadas pelos participantes, em propostas de teatro, artes visuais e dança. Como resultado dessa mistura, o grupo apresenta a exposição “Liquidificador deaf art” com produções e experimentações realizadas durante as aulas. A abertura será no dia 14 de dezembro, sábado, às 15h, no Espaço Força e Luz (Rua dos Andradas, 1223).

Na exposição, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) poderá ser vista como uma coreografia. O alfabeto latino, por sua vez, transforma-se em desenhos através das produções do grupo. As imagens apresentadas estão relacionadas aos processos corporais, pois, nos oito encontros do projeto, as artes visuais e as artes do corpo estiveram sempre em diálogo. O projeto, realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo, foi idealizado por Laura Moreira e as oficinas foram ministradas por Laura e Eduardo d’Avila, artistas e arte-educadores.

“As pessoas vão encontrar uma exposição que mistura linguagens, um reflexo da inquietude de pessoas jovens muito criativas”, explica Eduardo. Durante as oficinas, os alunos também puderam conhecer o processo artístico desde a elaboração até a montagem e produção de uma exposição. “Acompanhamos um crescimento muito grande dos participantes em seus processos pessoais, artísticos e expressivos. Eles estão se colocando, se mostrando, se imprimindo e também se identifcando”, pontua. Já Laura Moreira destaca que o grupo criou vínculos importantes entre si: “Nesse ambiente de muitas trocas a partir de uma perspectiva poética, criamos uma mistura única e potente.”

Para os 20 participantes, que têm idades entre 16 e 30 anos, navegar entre as linguagens artísticas foi uma oportunidade de aprender novos conteúdos. A estudante Bruna Vieira Nunes, conta: “Eu amei viver as dinâmicas de grupo e aprender sobre as diferentes energias, os movimentos e o teatro. As escolhas para a realização da mostra foram coletivas, desde o título da exposição até as obras que estarão nas paredes. “Liquidificador deaf-art” apresenta um encontro bilíngue, de surdos e ouvintes, um encontro de uma pesquisa artística e de uma proposta pedagógica, além do encontro entre artistas e estudantes em uma vivência experimental.

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