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Faixas candidatas a melhor canção original serão as atrações musicais do Oscar

Cerimônia terá apresentação de "This Is Me", “Remember Me”, "Mystery Of Love”, "Mighty River e “Stand Up For Something”

Natalia Lafourcade e Miguel vão cantar “Remember Me” do filme “Viva: A Vida é uma Festa”
Natalia Lafourcade e Miguel vão cantar “Remember Me” do filme “Viva: A Vida é uma Festa” Foto : Disney / Divulgação / CP
Sozinha, a música tem um poder profundo sobre os sentimentos. Cada nota é capaz de evocar diferentes emoções, do riso ao choro, da alegria à melancolia. Ao ser inserida em um filme, o efeito pode ser ainda maior, transportando o espectador a outras dimensões. Anualmente, desde 1934, quando ocorreu a sétima edição do Oscar, a Academia de Artes e Ciência Cinematográficas realiza a categoria de melhor canção original, que honra a melhor faixa composta exclusivamente para um longa. 

Grandes trilhas que já receberam a láurea se tornaram populares, como "You'll Be in My Heart" (2000, "Tarzan"), "(I've Had) The Time of My Life" (1988, "Dirty Dancing"), "Flashdance... What a Feeling" (1984, "Flashdance"), "Say You, Say Me" (1986, "O Sol da Meia-Noite") e o mega sucesso "My Heart Will Go On" Titanic", ganhador da categoria em 1998. Neste ano, a disputa ocorre entre faixas que exaltam a vida em diferentes formas: "This Is Me" (de "O Rei do Show"), “Remember Me” (de "Viva - A vida é uma Festa"), "Mystery Of Love” (de "Me Chame Pelo Seu Nome"), "Mighty River" (de "Mudbound: Lágrimas sobre o Mississipi") e “Stand Up For Something” (de "Marshall". 

Se fôssemos resumi-las, poderíamos dizer que elas representam, respectivamente a afirmação do ser humano em meio às críticas e descrenças; a celebração do legado dos que já se foram; as sutilezas da agridoce descoberta do primeiro amor; a resistência na luta pelos Direitos Civis; e a união de famílias distintas mas que estão unidas porque perderam tudo o que tinham.

Ainda que seja difícil apontar uma ganhadora, duas despontam como favoritas. A primeira delas é "This Is Me", interpretada pela norte-americana Keala Settle, que no musical "O Rei do Shew" vive a mulher barbada do circo onde a trama é ambientada. A música já venceu a categoria equivalente no Globo de Ouro e tem como produtores Justin Paul e Benj Pasek, a dupla que conquistou a estatueta no Oscar no ano passado por "City Of Stars", de "La La Land".

Sua letra pode ser um usada como letra motivacional em uma época em que a intolerância com a diferença aumenta: "Quando as palavras mais afiadas querem me cortar / Vou mandar uma inundação, vou afogá-las / Sou corajosa, estou ferida / Sou quem eu deveria ser, essa sou eu". Além disso, a faixa de pegada pop tem mais de 160 milhões de reproduções no Spotify em todo o mundo.




A segunda é "Remember Me", a balada romântica ao som de violão que faz parte da celebração ao Dia dos Mortos da Disney, a animação "Viva - A vida é uma Festa". A mexicana Natalia Lafourcade e o norte-americano Miguel cantam a faixa, que já foi laureada no Critic's Choice Awards. No filme, sua importância é tão grande que é interpretada três vezes, por personagens diferentes, em versões em inglês, espanhol e bilíngue. É também ao som do refrão "Lembre-se de mim / E meu canto irá abraçá-lo / Mesmo na distância / Nunca vá esquecer / Que eu sempre estarei com você" que os créditos finais rolam tela acima. Foi escrita por Kristen Anderson-Lopez and Robert Lopez, responsáveis pelo fenômeno "Let It Go", de "Frozen", ganhador do Oscar em 2014.



Em "Mystery Of Love", a melancolia rola solta. Acústica, ela é interpreta em "Me Chame Pelo Seu Nome" por Sufjan Stevens, que também a compôs. O artista, conhecido por seus trabalhos que exaltam elementos da natureza e tem uma pega holística, traz neste trabalho versos sensíveis e uma instrumentação fornecida por cordas, um banjo, uma guitarra e um piano. Na letra, o cantor ajuda o espectador a encontrar simpatia com a compreensão das emoções do protagonista Elio através de frases como "Oh, ver sem meus olhos / A primeira vez que você me beijou / Sem limites no momento em que chorei" e "Senhor, eu não acredito mais / Afogado em águas vivas / Amaldiçoado pelo amor que recebi".



Mary J. Blight, consagrada em carreira musical, se reinventou como uma estrela do cinema em "Mudbound: Lágrimas sobre o Mississipi" e conseguiu um feito histórico em 2018: além de ser indicada a melhor atriz coadjuvante, sua faixa "Mudbound" concorre à melhor canção original. A trilha, composta pela diva soul ao lado de Raphael Saadiq e Taura Stinson, traz uma poderosa mensagem de tolerância: "O amor é a resposta, o ódio é um câncer / Esperança de perdão é o que alimenta a alma / Nosso sangue é vermelho, não somos tão diferentes / Porque debaixo da nossa pele somos idênticos".



Fechando a lista, “Stand Up For Something”, escrita por Lonnie R. Lynn e Diane Warren, compositora que concorre à sua nona estatueta na categoria. Interpretada por Andra Day e Common, está presente no longa "Marshall", que não teve muito apelo comercial e por isso talvez seja a menos conhecida dentre as indicadas. A faixa, assim como o filme, tem um forte caráter social e político. A canção poderosa sobre defender o que você acredita, com a mensagem "você não pode simplesmente falar a conversa, você tem que caminhar a jornada", foi adotada por várias organizações.



Todas essas canções serão apresentadas na noite de gala do Oscar, por seus respectivos intérpretes. A única novidade é que o ator Gael García Bernal, que já mostrou seus talento musicais na série “Mozart”, se juntará a Natalia LaFourcade para interpretar “Remember Me”.

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