Propondo uma imersão entre arte, natureza e ancestralidade, a exposição “Cinco Elementos - Qual é o seu?” está em cartaz no Farol Santander (rua Sete de Setembro, 1028). Ar, água, fogo, terra e éter ganham espaços distintos, em uma experiência sensorial, no Grande Hall do prédio histórico, com visitação gratuita até o dia 21 de setembro.
O ponto de partida para a curadoria foi da jornalista e cineasta Luciana Tomasi, que explica como há anos estuda a natureza, procurando resposta para além da ciência, “Em meio ao vazio (éter), o corpo humano respira (ar), bebe fluidos (água), absorve o calor e o transforma em energia (fogo) e habita uma dimensão sólida (terra).”, lê-se no texto curatorial. A partir dessa inquietação, a curadora convidou o artista visual, curador e gestor cultural André Venzon para a escolha dos artistas que realizariam a costura e a conexão entre os elementos.
É nesse contexto que a mostra reúne cinco artistas visuais brasileiros reconhecidos internacionalmente, cada um representando um dos elementos: Brígida Baltar (ar), Claudia Jaguaribe (água), Xadalu Tupã Jekupé (fogo), Heloisa Crocco (terra) e Ernesto Neto (éter).
Vicente Saldanha é o responsável pelo projeto expográfico e, ao pintar as paredes do Grande Hall do Farol Santander de vermelho, tem a pretensão de remeter ao interior do corpo, mas também ao âmago da terra. “A expografia convida o visitante a habitar um tempo mais lento e sensível, onde corpo, matéria e espírito se encontram em um estado de escuta e contemplação profunda”, explica.
Lançamento da exposição Cinco Elementos – Qual é o Seu?, no Farol Santander, com curadoria de Luciana Tomasi e André Venzon
Logo ao adentrar o espaço, o público depara-se com a obra impactante de Ernesto Neto, produzida especialmente para a mostra. Reconhecido como um dos mais importantes artistas brasileiros contemporâneos no cenário internacional, ele deu vida ao éter. A instalação de grandes dimensões foi desenvolvida em crochê feito à mão, com voile de algodão, roldanas de madeira, bambu, especiarias, folhas de louro e areia. Sobre sua relação com os demais elementos, o artista e Luciana concordam que tudo está contido no éter: o espaço, o vazio e a totalidade.
Seguindo para o ar, Brígida Baltar (artista falecida em 2022) traz uma lembrança de abrigo poético e de vida natural. Seus trabalhos das séries “A Coleta da Neblina”, “Orvalho” e “Maresia”, incluem desenhos e performances e são emoldurados pelos sons de um vendaval, a partir de uma instalação de ventiladores no teto que traz o ar não apenas para os ouvidos, mas para uma experiência sensorial que envolve o tato.
Responsável pela água, a artista Claudia Jaguaribe recria a instalação “Água Mole em Pedra Dura” (2010), composta por fotografias de diferentes manifestações da água, como cachoeiras que assumem formas escultóricas, e cria uma experiência física de infinito a partir das imagens. No espaço tomado pelos sons de água corrente estão, também, trabalhos de “O Seu Caminho” (2010), nos quais a artista investiga a relação humana com a água enquanto fenômeno natural de intensa força física e emocional. A artista apresentará detalhes de suas obras na atividade “A construção da imagem na fotografia”, que acontece nesta quinta-feira, dia 10, às 18h30min.
Do frio das águas, o percurso segue para o calor do elemento fogo, reproduzido por Xadalu Tupã Jekupé, um dos artistas indígenas contemporâneos mais destacados do Brasil e do mundo. Para esta exposição, o artista apresenta em telas inéditas de grandes dimensões sua pesquisa sobre o fogo, que atravessa a ancestralidade do povo Guarani Mbyá — suas cosmologias, processos históricos de colonização e uma crítica decolonial na contemporaneidade. Um relato do artista, acompanhado do crepitar de uma fogueira, complementa as obras.
Completando o circuito, o trabalho de Heloísa Crocco apresenta o elemento terra. Sua obra principal, o filme “Horneros”, uma produção uruguaio-brasileira, estreia no Farol Santander e convida o público a sentir esse elemento telúrico por meio da força da natureza e do trabalho humano. A instalação “Terra Flor” traz ferro e ladrilhos de barro para completar o fio da representação.