Feira do Livro

A jornalista que foi ser gauche na vida

Lelei Teixeira autografa na 67ª Feira do Livro a sua obra de estreia, que traz reflexão sobre o nanismo

Jornalista Lelei Teixeira e o seu 'E fomos ser gauche na vida'
Jornalista Lelei Teixeira e o seu 'E fomos ser gauche na vida' Foto : Luana Alves / Divulgação / CP

O livro “E fomos ser gauche na vida” (Pubblicato Editora, 2020, da jornalista gaúcha Lelei Teixeira, terá sua primeira sessão de autógrafos na 67ª Feira do Livro de Porto Alegre, nesta quinta, às 17h30min, na Praça da Alfândega. O convite, feito pelo presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Isatir Bottin Filho, deixou a autora emocionada. “Escrevi um livro sobre a minha condição com o desejo de provocar uma reflexão sobre nanismo, preconceito, diferença, inclusão e empatia, e saber que estarei na Praça de Autógrafos da Feira é muito estimulante”, diz Lelei. “Reafirmar mais uma vez a importância da nossa luta contra a discriminação em busca de relações mais humanas em um espaço tradicional e tão querido por todos nós me enche de orgulho”.

Projeto antigo de Lelei e da irmã Marlene Teixeira, que morreu em abril de 2015, o livro nasceu da falta e do desejo de falar sobre nanismo e discriminação. A primeira edição, de dezembro de 2020, esgotou em menos de um mês. “Jamais imaginei que a minha escrita fosse tocar tanto as pessoas e abrir tantas portas”, conta a autora. Por conta da repercussão, a obra já está na segunda edição.
Em 2016 a autora começou a escrever o blog “Isso não é comum” no portal Sul21, o que fez até agosto de 2020. O blog possibilitou a reunião de fragmentos da trajetória das irmãs e o livro foi nascendo para reafirmar que a luta contra o preconceito é justa e necessária. “É indiscutível que a discriminação está mais violenta. Basta observar o que acontece no Brasil e no mundo com negros, população LGBT+, índios, pessoas que apresentam comportamentos diferentes em uma sociedade normativa, que não consegue perceber a riqueza da diversidade humana”.
Dividido em duas partes, na segunda o livro traz textos publicados no blog, hoje hospedado no site da Gira Produção e Conteúdo, e textos de alunos e contemporâneos da Marlene na Unisinos, onde deu aulas na Pós em Letras. “Muito do que escrevi no livro sobre a nossa vida, pensamos e articulamos juntas”, ressalta Lelei. “Tínhamos o hábito de interferir uma no texto da outra. Até nos artigos acadêmicos da professora eu dava palpites. Marlene me dizia: Coloca o teu olho de jornalista no que estou escrevendo”. 
Na introdução à obra, intitulada “A falta que faz”, Lelei confessa: “Ainda não aprendi a viver sem a Marlene... Aprendi que não temos salvaguardas, temos amigos. Aprendi a olhar, a ver o outro como nunca, a dividir, a compartilhar, a trocar - a ser o que sou com o outro”. 
A foto da capa é da professora e artista visual gaúcha Mariane Rotter, que desde 2002 desenvolve o projeto “Meu ponto de vista”, fotografando o cotidiano a 1,30m do chão, um olhar não usual por autorretratos incomuns. Professora assistente na Graduação em Artes Visuais da Uergs, Mariane faz doutorado em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Ufrgs. As ilustrações das guardas do livro são de Amaro Abreu. Durante a Feira, o livro estará na banca da Isasul e no estande da Associação Riograndense de Imprensa.