Feira do Livro

A literatura abre caminhos para jovens em medida socioeducativa na Feira

A terceira edição do projeto Fase vai à Feira levou os jovens em medida à Feira, nesta quarta-feira, dia 12, promovendo leitura, autonomia e reencontro com a imaginação

Rapper e produtor Rafa Rafuagi abriu o 3º Fase vai à Feira com uma fala inspiradora
Rapper e produtor Rafa Rafuagi abriu o 3º Fase vai à Feira com uma fala inspiradora Foto : Eduardo Fernandes / CRL / CP

Em um dia no qual os livros se tornam passaporte para o imaginário, jovens da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase RS) caminharam entre bancas, capas e histórias na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre. O projeto Fase vai à Feira, em sua terceira edição, foi realizado nesta quarta-feira, 12, no espaço Território dos Parceiros, e proporcionou a adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa a oportunidade de escolher um livro e levá-lo para casa. Um gesto simples, mas carregado de autonomia, pertencimento e descoberta.

Ao todo, 45 jovens de unidades da Fase localizadas em Porto Alegre, Passo Fundo, Uruguaiana, Pelotas, Santa Maria, Santo Ângelo, Caxias do Sul e Novo Hamburgo participaram da ação. É a terceira vez que o grupo integra o projeto e recebe o benefício, fortalecendo o vínculo com a leitura e ampliando o acesso à cultura. Para muitos, foi o primeiro contato com um evento literário. Para todos, uma experiência inédita de circular, explorar e decidir os mundos que desejam conhecer.

A atividade começou com uma fala inspiradora de Rafa Rafuagi, rapper, produtor cultural e ativista da paz, que abordou temas como escolhas, caminhos e transformação. Com seu discurso potente e acolhedor, Rafa incentivou os adolescentes a acreditarem na arte como uma ponte para novos começos e possibilidades. Após o encontro, cada participante recebeu um voucher de 60 reais e partiu para a missão de escolher um livro e abrir novas páginas na própria história.

De acordo com Pedro Falkenbach Júnior, diretor do Núcleo de Esporte, Lazer, Cultura e Espiritualidade da Fase, o projeto é mais do que uma visita, pois representa uma política pública que transforma o contato com a literatura em ferramenta de reinserção social.

“Eles escolhem um livro na banca, compram com o próprio voucher e levam para casa. É uma experiência concreta, que desperta o verdadeiro gosto pela leitura. Mesmo com espaços de leitura dentro das unidades, caminhar pelas bancas da Feira é algo completamente novo para eles. É encantador para os meninos e gratificante para nós, porque é a coroação de todo o investimento feito na política de incentivo à leitura”, explica.

Para o presidente da Fase, José Luiz Stédile, a leitura é um caminho de reconstrução. “A leitura não apenas ocupa o tempo de forma construtiva, mas também abre caminhos para que esses jovens se reconectem com seus sonhos, com a educação e com a sociedade. Projetos como oficinas literárias e distribuição de kits de leitura são a base para a cidadania e inclusão no futuro”, afirma.

Já o presidente da Câmara Riograndense do Livro, Maximiliano Ledur, reforça o alinhamento da iniciativa com os objetivos da Feira. “Agradecemos por poder estar com esses jovens e oferecer essa oportunidade, que é fundamental para o aprendizado e o retorno de cada um. É uma sementinha que estamos plantando e esperamos que esse projeto dure muitos anos”, destaca.

O próprio caminho

Entre os participantes, estava K., 18 anos, que há três cumpre medida na Fase de Uruguaiana. Inspirado por uma live realizada pela Fase com o escritor Wesley Barbosa, ele começou a escrever contos e participou de uma coletânea publicada pela instituição. Na Feira, chegou decidido com o que queria comprar. “A live que a gente viu me inspirou a escrever e fiz uma história sobre meu pai. Quero levar pra casa obras do José Falero, como Vila Sapo, que me marcou muito. Me identifiquei demais com a história, porque é muito real, muito nossa. Quem viveu aquilo sabe”, confessa.

R., de 19 anos, também da unidade de Uruguaiana, celebrou com entusiasmo sua primeira visita à Feira. “Achei uma baita oportunidade. Nunca tinha vindo antes. Gostei muito de virar as páginas, conhecer o pessoal e ouvir o Rafa. Ainda não sei qual livro vou comprar, mas vou dar uma olhada. Gosto de ler romance, sou aquele cara que curte uma boa história”, confessa.