Na Grécia Antiga, a Ágora era a praça pública central das cidades-estado gregas, funcionando como o coração da vida política, social, cultural e comercial. Na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre, a Praça de Autógrafos é a ágora, o ponto máximo de aproximação entre escritores, leitores, editores, ilustradores, revisores, capistas, assessores de imprensa, jornalistas e outros profissionais que amam os livros. Até este domingo, 16 de novembro, são cerca de 800 autógrafos, incluindo os coletivos, dos quais 352 lançamentos são da área Geral da Feira, conforme explica o presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Maximiliano Ledur. Nestes 17 dias, eu estive em dois terços deles, participando de alguma sessão de autógrafos e encontrei dezenas de amigos do mundo da literatura. Uma das sessões que mais teve público foi a da patrona Martha Medeiros, de “Poesia Reunida” (L&PM Editores) que teve duração de mais de três horas.
Ledur lembra da importância da presença de escolares na Feira e que este encontro entre escritores e leitores é o melhor momento do evento literário. “Este encontro é fundamental. A gente vê os escritores se encontrando e trocando ideias e os leitores falando com seus autores preferidos. É muito bacana. A Praça de Autógrafos é a área mais efervescente da Feira”, destaca o presidente da CRL.
Para o jornalista e escritor Márcio Pinheiro, o encontro com os leitores é como os atores que no palco de um teatro tem o ponto máximo de proximidade com os espectadores. “A gente vê muito o pessoal de teatro, os atores, falarem que é no palco que eles se sentem mais à vontade. O escritor se sente mais à vontade na sessão de autógrafos, no encontro com o leitor, quando descobre como o seu livro impactou no leitor, como a sua história chegou ao leitor, este é um ponto fundamental neste encontro entre escritores e leitores”, observa Márcio, que autografou “Paulo Sant´Anna – o Gênio Indomável” (AGE) na Feira.
O jornalista e escritor Rafael Guimaraens, que autografou “1937 – Juliete em Perigo!”, na última sexta-feira, 14, e que foi vencedor do Jacarandá 2024, do Correio do Povo, como Personalidade do Ano, lembra que é nos autógrafos que ele recebe o retorno sobre a obra atual lançada ou sobre alguma anterior. “Naquele momento, o leitor conversa com a gente, dá dicas do que gostou ou não gostou, de aspectos da história que eu nem havia pensado. Tanto naquele momento da Praça de Autógrafos quanto aqui na banca da Libretos, eu recebo retornos muito interessantes sobre o livro. As pessoas perguntam coisas que não estão no livro. É realmente um grande momento da Feira”, finaliza.
O advogado e escritor Gustavo Melo Czekster elenca as sessões como o espaço de sair da solitude do escritor, do espaço solitário, para o momento coletivo, da troca. “Normalmente, a literatura é um espaço muito solitário. A gente sempre escreve sozinho. Quando encontramos os leitores, é muito legal. Eles fazem uma troca intensa com a gente e passa ser um momento único na vida dos escritores que autografam e dos leitores que recebem as dedicatórias”.
A escritora Ana Cecília Romeu, que autografou o seu quinto livro “Cadeira Movediça” na Feira, salienta que as sessões são fundamentais para os autores. “Os autógrafos são um momento muito importante na Feira, pois recebemos leitores novos. Eu tive três ou quatro leitores que não conhecia. Eles gostaram da capa, leram a sinopse e entenderam que a obra dialogaria com eles. Conversamos bastante. É uma troca importante, sem contar os leitores usuais, amigos e parentes que já nos leem há algum tempo”.
A escritora, poeta, professora e pesquisadora Izanete Marques lançou “Nasci Quilombola” na Feira que fala de uma criança negra que cresceu no Quilombo Pedra, na Bahia. A autora considera os autógrafos o momento de celebrar a literatura, de confraternização. “É um momento de confraternização, de uma importância grandiosa, porque, além de encontrarmos os amigos, os colegas, nós também divulgamos o nosso trabalho, novas pessoas têm acesso aos nossos trabalhos, estabelecemos contatos e socializamos experiências de leituras e futuras experiências também”, enfatiza.
A crise é um dos momentos mais desafiadores, seja na vida pessoal ou nas organizações. A superação das dificuldades depende de um colchão reputacional, trabalhado de forma consistente, responsável, dentro de uma cultura sólida com apoio técnico e profissional. Essas são algumas das lições trazidas pelo livro "Gerindo crises, construindo reputação", da jornalista Soraia Hanna, lançado neste sábado. No livro, ela compartilha aprendizados dos seus mais de 25 anos de trajetória na comunicação do setor público e privado. "Um trabalho de comunicação eficiente é essencial para fortalecer negócios, governos e pessoas. E quem ler o livro entenderá a dimensão estratégica para mitigar riscos ou para saber enfrentar a tempestade com a serenidade necessária para seguir em frente. E, nessa jornada, um apoio profissional qualificado para auxiliar a tomada de decisões pode significar o triunfo ou a derrocada", explica Soraia.
A partir destes depoimentos e também pelo meu depoimento pessoal, com 30 anos de cobertura da Feira do Livro de Porto Alegre, podemos dizer que a ágora, a praça, o ponto de conexão entre escritores e leitores é sim o ponto máximo de todo este evento literário de 70 anos (a primeira feira foi em 1955), com 71 edições.