Os escritores gaúchos Rafael Guimaraens, Boca Migotto, Matheus Borges e Clara Corleone lançam e autografam obras nesta sexta, dia 7 de novembro, na 71ª Feira do Livro de Porto Alegre.
Premiado com o Jacarandá de Personalidade do Ano em 2024 pelo Correio do Povo, o escritor e jornalista Rafael Guimaraens lança um romance policial na Feira. O lançamento de “1937 – Juliette em Perigo!” acontecerá às 18h, quando Guimaraens apresenta a obra na Vitrine de lançamento no Clube do Comércio (Rua dos Andradas, 1085 - 4º andar) e às 19horas, autografa a obra na Praça de Autógrafos.
Em 1935, o jornalista Paulo Koetz e a cantora Juliette Foillet viveram uma intensa história de amor durante os festejos do centenário da Revolução Farroupilha. Dois anos depois, Juliette tornou-se uma artista internacional e vai se apresentar em Buenos Aires. Paulo desconfia que ela corre perigo. Para proteger sua amada, precisa mergulhar no submundo portenho, no qual transitam assaltantes, rufiões e policiais corruptos. Nessa jornada de descobertas, embalada por tangos inesquecíveis, conta apenas com o livreiro Miguel e o veterano repórter Santiago. “1937 – Juliette em perigo!” (Libretos Editora, 2025,152 páginas), de Rafael Guimaraens, é uma sequência do livro “1935”. Desta vez, a Argentina em crise econômica e sob uma ditadura militar é o cenário da nova aventura de Paulo Koetz. Sua antiga namorada, a cantora Juliette Foillet, é ameaçada por uma quadrilha de traficantes de escravas brancas. Instalado em uma livraria de Buenos Aires, ele tem um plano. A obra contou com tradução de trechos em espanhol de Mariam Pessah.
BOCA MIGOTTO
O cineasta Boca Migotto apresenta seu quarto livro “Mais um inverno” (Ed. Pragmatha, 2025, 272 págs.) na Feira. A obra terá sessão de autógrafos nesta sexta-feira, dia 7 de novembro, às 18h. O livro pode ser adquirido na banca dos Autores Independentes. Após “Na antessala do fim do mundo” (2021), “Um certo cinema gaúcho de Porto Alegre – ou como o cinema imagina a capital dos gaúchos” (2022) e “A última praia do Brasil” (2023), Boca Migotto, conhecido, sobretudo, pelo seu documentário “Filme sobre um Bom Fim” (2015), se utiliza da Serra Gaúcha para desenvolver uma narrativa que acompanha a trajetória de Italina Fabbri e, através dela, as transformações da região desde os anos 1930.
Segundo Tailor Diniz, escritor e roteirista que assina a orelha do livro, “Mais um inverno traz para o papel, o que é sempre difícil de fazer, a alma de uma região bem conhecida dos gaúchos, a colônia de imigrantes italianos, construída a partir da chegada das primeiras famílias, em 1875. É um assunto pouco explorado pela ficção, que lembra outro autor importante, José Clemente Pozenato”.
Com estilo denso, poético e crítico, o romance constrói uma ponte entre o passado colonial rural e as marcas culturais e políticas do presente. Por meio de uma narração fluida, a obra reconstrói a imigração italiana com precisão documental, evitando o lugar-comum da celebração ufanista e revelando suas contradições sem, no entanto, perder a dimensão humana.
Segundo o autor, a ideia do livro nasceu há uns dois anos e tem por objetivo lançar luzes sobre o papel das mulheres na história da imigração. Ao mesmo tempo, provocar a reflexão acerca dos efeitos do progresso sobre a memória, material e imaterial, dos imigrantes.
MATHEUS BORGES
A partir das 17h, na Sala Vitrine de Lançamento do Clube do Comércio (rua dos Andradas, 1085 - 4°andar) ocorre o lançamento do novo romance de Matheus Borges, autor de “Mil placebos”, livro vencedor do prêmio Odisseia de literatura fantástica em 2022. A obra “Frankito em Chamas” (Todavia) conta a história de um roteirista que viaja ao Uruguai para acompanhar a filmagem do seu primeiro longa. Lá ele é apresentado a Frankito, um dublê conhecido por sua capacidade incomum de rolar escada abaixo. O livro fala sobre o universo do cinema de um jeito melancólico, ácido, e também engraçado. Escrito na melhor tradição latino-americana, com ecos de Pedro Mairal e Martin Kohan, Matheus Borges compôs um romance engraçado e comovente sobre nossos tempos, sejam eles quais forem. Para a escritora Julia Dantas, o livro emana esta consideração: “De um olhar sagaz sobre o mundo e sobre os outros, Matheus faz emergir um senso de humor que sabe ser tão pitoresco quanto inteligente." A sessão de autógrafos na Praça será às 18h.
CLARA CORLEONE
Autora dos romances “Porque era ela, porque era eu” (2021), “Predadores” (2022) e “Rosa e Violeta” (2024), todos pela L&PM, a escritora Clara Corleone lança a sua nova obra, “Vire esta folha e se esqueça de mim”, pela mesma editora. A sessão de autógrafos será às 19h na Praça. Na trama, Catharina e Gael se conhecem na escola, na adolescência. Ela, órfã de pai e mãe, bolsista na escola de gente rica. Ele, um dos garotos mais bonitos e populares da instituição. É com esse rapaz que Catharina perde a virgindade, num sexo sem beijos, sem carinho e sem jeito. Eles eles se reencontram anos depois para viver uma intensa e desenfreada relação obsessivo-sexual, agora com a desenvoltura e a experiência da idade adulta.
Nesta novela com ecos de “Relações perigosas”, de Choderlos de Laclos, e “Fragmentos de um discurso amoroso”, de Roland Barthes, acompanhamos a narradora-personagem Catharina em sua jornada ao fundo do poço da sujeição completa diante de um homem egocêntrico e manipulador. Resta descobrir se ela vai conseguir encontrar uma saída desse relacionamento tão espiralado quanto irresistível, ou se vai sucumbir à aniquilação total. Uma obra que ecoa a vida moderna e urbana do início do século XXI, em que costumes e valores são colocados em xeque e embaralhados, e em que o indivíduo – e sobretudo a mulher – precisa forjar, muitas vezes a partir do nada, o autoconhecimento e o sentido da própria existência.
Clara Corleone nasceu em Porto Alegre. É atriz formada pela Ufrgs. O seu primeiro livro é a obra de “O homem infelizmente tem que acabar” (Zouk, 2019), que recebeu o prêmio Minuano de Literatura, do Instituto Estadual do Livro do Rio Grande do Sul. A autora venceu o Prêmio Jacarandá de Autora Revelação em 2021.