Feira do Livro

Bela Gil participa da Feira do Livro de Porto Alegre

Chef de cozinha, apresentadora e ativista estará na Praça da Alfândega nesta quarta-feira para palestra e sessão de autógrafos

Bela Gil falou sobre luto neste domingo, 27, data que marca uma semana da morte de sua irmã, Preta Gil
Bela Gil falou sobre luto neste domingo, 27, data que marca uma semana da morte de sua irmã, Preta Gil Foto : Pedro Serrão / Divulgação / CP

A comida é a lente pela qual a chef de cozinha, apresentadora e ativista Bela Gil enxerga o mundo. Ao girar essa lente para quem está atrás das panelas, a filha de Gilberto Gil conduz o nosso olhar para a realidade das cozinhas domésticas. Assim, ela consegue revelar aspectos centrais de nossa organização social.

Em “Caminhos Sustentáveis: Uma Conversa com Bela Gil na Feira”, o Teatro Petrobras Carlos Urbim, localizado entre Memorial RS e Margs na Praça da Alfândega, recebe hoje, às 17h30min, a chef Bela Gil com mediação de Elaine Maritza. Na conversa estará em discussão a mais recente obra de Bela Gil, “Quem vai fazer essa comida – mulheres, trabalho doméstico e alimentação saudável” (Editora Elefante), que discute caminhos para democratizar a alimentação saudável no Brasil. A sessão de autógrafos ocorre às 18h30min.

Hoje, depois de décadas de pesquisas científicas e questionamentos à indústria do fast-food, é sabido que os alimentos ultraprocessados são grandes promotores de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes e hipertensão, além de contribuírem para a destruição da natureza, já que se apoiam sobre monoculturas de commodities como soja, trigo, milho e cana-de-açúcar. Também sabemos que a comida de panela feita em casa com ingredientes frescos ou minimamente processados é a melhor opção para nutrir o corpo, fortalecer as culturas regionais e respeitar o meio ambiente.

Neste livro, Bela Gil questiona sobre quem vai fazer essa comida? A partir da pergunta, ela relaciona alimentação saudável, feminismo e trabalho doméstico, complexificando um debate ignorado pelos livros de receitas e programas de culinária.

É a dona de casa, a mãe, a avó, a esposa, a empregada doméstica migrante, a mulher pobre e preta da periferia que continuará pilotando o fogão? E quem fará a comida dela, da família dela? Na obra, Bela critica a histórica desvalorização do ato de cozinhar, com raízes escravocratas, e reivindica o pagamento de salários para o trabalho doméstico, tema da obra de pensadoras como Silvia Federici. “Será que é certo que, para alguns poucos terem comida fresca e serem saudáveis e livres para correr atrás de seus sonhos, outros muitos tenham que se contentar com produtos ultraprocessados, que fazem mal ao corpo e ao planeta — isso quando não passam fome?”

Na introdução da obra, Bela afirma: “Não basta apenas focar as receitas e os ingredientes; o conhecimento tradicional e científico já demonstrou à exaustão o tipo de alimento que faz bem e o tipo de alimento que faz mal à saúde. Portanto, é hora de voltar os olhos a quem faz a comida – e garantir que toda a sociedade possa trabalhar em prol de melhores condições para que escolhas saudáveis à mesa sejam não apenas um ideal, mas uma realidade acessível ao conjunto da população.

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