A segunda sexta-feira da Feira do Livro de Porto Alegre, pelo terceiro ano consecutivo, é palco para a celebração da literatura negra. A Praça da Alfândega recebe hoje, na área infantil e juvenil, a terceira edição do Ciclo Preto Sou, projeto que dá protagonismo às produções artísticas e literárias e às vozes pretas. Contação de histórias, colóquios, apresentações musicais e lançamentos de livros estão entre as atividades que trazem a cultura afro-brasileira ao centro da agenda da literatura gaúcha.
Com produção de Sônia Zanchetta e Túlio Quevedo, a iniciativa aparece com o intuito de dar visibilidade a grupos e artistas que não têm espaço na mídia convencional e trazer a comunidade negra para dentro da feira. Quilombos urbanos de diferentes localidades do Estado são atraídos para o evento pelo Ciclo, marcando uma presença que, por si só, já é representa a resistência negra e a luta antirracista.
Ocupar o espaço de um dos maiores eventos literários a céu aberto da América Latina com o debate e o resgate histórico da cultura africana está entre os principais objetivos do Preto Sou, de acordo com Túlio.
“O racismo institucional é muito claro. A gente tem que combater e mostrar isso na literatura, na fala, na atitude, nas artes. Nós temos que reforçar isso. As pessoas têm que compreender e respeitar a nossa referência cultural, que não é pouca e que é de todos.”
Túlio Quevedo, produtor do Ciclo Preto Sou
A articulação entre o campo literário e as diversas faces da arte dão origem a uma programação que passeia por diferentes manifestações e vivências. A literatura, definida por Túlio como “coluna vertebral”, dá harmonia, norteia e conversa com apresentações de dança, música, teatro e artes visuais. Performance e bate-papo com o coletivo Poetas Vivos, roda performática de capoeira maculelê e samba de roda, Teatro de rua com Grupo NuTA e música com Jorge do Trompete estão entre as atrações do projeto. A programação completa pode ser conferida aqui.
Consolidar o Ciclo Preto Sou no calendário da Feira do Livro de Porto Alegre é reafirmar a importância dos personagens negros na construção cultural do Estado e reconquistar uma presença historicamente apagada. O fortalecimento da literatura negra é o fortalecimento da literatura gaúcha. “É uma demonstração de que a cultura negra tá em todos nós. É importante mostrar que essa sociedade, esse país, esse Rio Grande do Sul, essa Porto Alegre é fruto da cultura negra, dos africanos”, encerra o produtor.
*Sob supervisão de Luiz G. Lopes