O médico oncologista e escritor Gilberto Schwartsmann autografa as suas duas obras mais recentes nesta segunda-feira, às 17h30min, na Praça de Autógrafos da 67ª Feira do Livro de Porto Alegre. As obras são "Gabinete de Curiosidades" e "Divina Rima: um diálogo com a Divina Comédia, de Dante Alighieri", esta com ilustrações de Zoravia Bettiol, ambas pela Editora Sulina.
Gabinete de Curiosidades é o título do poema que abre e nomeia o livro de Schwartsmann. Os tais gabinetes, ou “Câmaras de Maravilhas”, surgiram na Europa nos séculos XVI e XVII. Eram locais em que coleções de objetos curiosos ou raros eram agrupadas e expostas. Eram mantidos por reis, príncipes, nobres, burgueses mais abastados e artistas. Poesia é bom de se ler, mas é muito melhor de se ouvir. Quando Max (de Max & os Demônios), personagem de outra obra do autor, conversava com dois demônios travestidos de gente, alguns dias após a obra ser lançada sem sucesso numa livraria siberiana, foi esse o conselho que escutou. Mas já era tarde. E tudo virou prosa. Mas há sempre a possibilidade maravilhosa de se procurar a poesia escondida dentro da prosa. E é tão fácil encontrar! Por lidar com ossadas antigas, caroços secos de frutas paleolíticas, aves de rapina empalhadas e outros objetos exóticos – como amor, raiva, saudade ou arrependimento –, os sentimentos mais íntimos do autor, a dor que sai de certos poemas é, por vezes, constrangedora.
E qual a razão de tamanho sofrimento? Por que tantas queixas sobre si próprio e o mundo? Seria mentira? Um puro exercício da invenção? E os seus repentes de amor? Haveria tanto espaço neste planeta confuso para alguém ainda se atrever a simplesmente amar? Não obstante, o autor reconhece que é possível ler poemas num vagão de trem e, mesmo com o barulho e o sacolejar, ainda assim, o leitor pode se apaixonar. E ele até reconhece como possível ler-se a prosa de Borges e chorar. Prosa, poesia, poesia, prosa, cheiro de rosa no ar, mergulhar, mar... Gabinete de curiosidades traz poesias doces e, ao mesmo tempo, poemas ácidos, exóticos e mais difíceis de gostar.
Em "Divina Rima", o médico e escritor conta que o primeiro contato com A Divina Comédia se deu quando adolescente. "Minha professora de História, Dona Giselda, disse que, se eu realmente tivesse interesse na boa literatura, deveria ler a obra-prima de Dante. Tratei logo de adquirir uma tradução em português na Livraria do Globo, no centro de Porto Alegre. A funcionária me confidenciou que poderia conseguir outras duas edições, uma em espanhol e outra em italiano. Seu pai vendia livros usados. E me presenteou com outra edição em português, de José Pedro Xavier Pinheiro, de 1965.Dona Giselda surpreendeu-me dias depois com uma tradução para o francês, da Les Meilleurs Auteurs Classiques, editada pela E. Flammarion, de Paris. Tempos depois, adquiri uma edição de 1858, da Librairie de L. Hachette, com notas introdutórias de Pier Angelo Fiorentino. A dimensão universal deste longo e impressionante poema, escrito por Dante em terza rima, eu só passei a entender depois de ler os comentários de Borges, numa edição em espanhol, da Oceano. Desde então, coleciono edições e também ilustrações da obra", afirma o autor.
Segundo ele, "A Divina Comédia" atende a todos os gostos – até no tamanho. "Numa livraria em Praga, encontrei uma edição em italiano, de 1911, da Ulrico Hoepli, de Milão, com comentários de Raffaello Fornaciari, que cabe na palma de minha mão. Há belíssimas edições, como a recentemente editada pela Unicamp, com as ilustrações de Botticelli. Neste livro, fiz uso da terza rima, como Dante, na esperança de motivar o leitor a mergulhar no texto original. O prazer de escrever sobre A Divina Comédia só foi superado pela oportunidade de conviver mais de perto com Zoravia Bettiol, que elaborou as ilustrações. É difícil descrever quanto aprendi com esta grande artista brasileira. Zoravia exerceu sobre mim um efeito transformador", finaliza.