Feira do Livro

Martha Medeiros é escolhida como patrona da Feira do Livro de Porto Alegre de 2025

Escritora com 40 anos de carreira exercerá o ofício durante a 71ª edição do evento, que será realizada de 31 de outubro a 16 de novembro, na Praça da Alfândega e arredores

Autora dos best-sellers “Trem-Bala” e “Doidas e santas”, Martha Medeiros foi escolhida como patrona da Feira do Livro de 2025
Autora dos best-sellers “Trem-Bala” e “Doidas e santas”, Martha Medeiros foi escolhida como patrona da Feira do Livro de 2025 Foto : Pedro Piegas

A escritora Martha Medeiros foi escolhida na manhã desta terça-feira, 22 de julho, como a patrona da 71ª Feira do Livro de Porto Alegre. Ela sucederá o escritor alegretense Sergio Faraco, patrono da Feira em 2024, recebendo a chave do evento somente no dia 31 de outubro, quando o evento será aberto oficialmente na Praça da Alfândega, e se consolidando como a nona mulher escolhida para o cargo. A Feira este ano será realizada de 31 de outubro a 16 de novembro, no Centro Histórico da Capital.

Martha Medeiros, Sergio Faraco, patrono da Feira de 2024, e Maximiliano Ledur, presidente da Câmaria Rio-Grandense do Livro | Foto: Pedro Piegas

“Estou celebrando 40 anos do lançamento do meu primeiro livro, “Strip Tease”, que foi lançado em 1985. Foram mais de 30 livros publicados, virei colunista de jornal há 31 anos, alguma tentativas de ficção, peças teatrais, parcerias musicais. Acho agora já consigo me encaixar aqui neste lugar. É uma honra ser a nona patrona mulher da Feira do Livro. Que venham novas mulheres. Eu pretendo continuar fazendo o que faço normalmente que é incentivar a leitura, valorizar o livro e tentar resgatar os leitores sequestrados pelas redes sociais, os quais eu me incluo”, disse Martha, em sua primeira fala após o anúncio feito pelo presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Maximiliano Ledur. Ela ainda homenageou o poeta Mario Pirata, falecido domingo, frisando que ele participava ativamente da Feira e da cena cultural gaúcha. “Vai ser um prazer escrever mais um capítulo da minha história e da história da Feira. Obrigado a todos”, acrescentou.

Sobre a sua representatividade na Feira, Martha disse que é uma representação cultural em geral, não só literária. “A literatura é a base de todas as artes. Em teatro, cinema e música, a literatura está sempre envolvida. Vai ser muito bom se eu conseguir agregar a literatura com todas as outras manifestações artísticas. Estou feliz com a escolha, mas nos próximos dias vou estabelecer uma estratégia para fazer com que as pessoas se sintam motivadas a criarem e consumirem arte nesta Feira”, finalizou.

Martha Medeiros nasceu em Porto Alegre em 20 de agosto de 1961 e é formada em Comunicação Social pela PUCRS. Como poeta, publicou “Strip Tease” (Brasiliense, 1985), “Meia-Noite e Um Quarto” (L&PM, 1987) , “Persona Non Grata” (L&PM, 1991), “De Cara Lavada” (L&PM, 1995), “Poesia Reunida” (L&PM, 1999) e “Cartas Extraviadas e Outros Poemas “(L&PM, 2001). Em maio de 1995 lançou seu primeiro livro de crônicas, “Geração Bivolt” (Artes & Ofícios), onde reuniu artigos publicados em jornal e textos inéditos. Em 1996 lançou o guia “Santiago do Chile, Crônicas e Dicas de Viagem”, fruto dos oito meses em que viveu na capital chilena. Seu segundo livro de crônicas, “Topless” (L&PM, 1997), ganhou o Prêmio Açorianos de Literatura.

É autora dos best-sellers “Trem-Bala”, “Doidas e santas” e “Feliz por nada”. Seu romance “Divã”, lançado pela editora Objetiva, já vendeu mais de 50 mil exemplares e também virou peça de teatro, com Lilia Cabral no papel principal. Sua coletânea de crônicas “Montanha Russa” (2003) conquistou o Prêmio Açorianos de Literatura de 2004 em Crônicas e ficou em segundo lugar no Prêmio Jabuti, na categoria Contos e Crônicas. Martha ainda escreveu um livro infantil chamado “Esquisita Como Eu”, pela editora Projeto, e o livro de ficção “Selma e Sinatra”. É colunista de jornais e outras publicações.

A escolha de patronos para a Feira do Livro é realizada desde a 10ª edição em 1965, quando foi escolhido o escritor Alcides Maya. Nas nove primeiras edições, desde 1955, o a distinção era para um escritor homenageado. Na época, o patronato era póstumo, o que aconteceu com Erico Verissimo, em 1976. Ele havia falecido no ano anterior. O último patrono póstumo foi o livreiro e proprietário da Livraria e Editora Globo, José Bertaso. A partir de 1984, da 30ª edição, o patrono da Feira do Livro passou a ser escolhido entre os vivos e o patronato coube ao livreiro Maurício Rosenblatt, um dos fundadores da Feira. Com Martha em 2025, dos 41 patronos da Feira, foram escolhidos para o cargo nove mulheres e apenas um autor negro, Jéferson Tenório, na 66ª edição em 2020, quando foi realizada de forma online por causa da pandemia da Covid-19.