Arte & Agenda

“Feliz por ser em Porto Alegre” afirma Adriana Calcanhotto sobre estreia de “complexo b”

Cantora gaúcha sobe ao palco do Teatro Simões Lopes Neto acompanhada de José Miguel Wisnik e João Camarero neste sábado, 28, e domingo, 1º de março

Espetáculo "complexo b", apresentado em Portugal
Espetáculo "complexo b", apresentado em Portugal Foto : Ricardo Lopes / Divulgação / CP

Neste sábado, 28 de fevereiro, às 20h, e domingo, 1° de março, às 18h, Porto Alegre poderá ver um trio grandioso no palco do Teatro Simões Lopes Neto: Adriana Calcanhotto, José Miguel Wisnik e João Camarero. Não por acaso, muito pelo contrário, para apresentar um espetáculo pensado e amadurecido por algum tempo. O “complexo b” une a cultura brasileira e lusitana com a força que somente as relações centenárias são capazes de causar. Concebido para a Exposição Complexo Brasil, em novembro de 2025, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a obra de arte estreia no Brasil como epílogo para o 32° Porto Alegre em Cena.

“Quando apresentamos em Portugal, a primeira coisa que pensamos foi: ‘isso tem que ir para o Brasil’. E eu estou muito feliz em vir para o Brasil e por ser em Porto Alegre”, pontua a compositora Adriana Calcanhotto.

Não é à toa que falar de Brasil e resgatar conexões com a cultura lusitana. Foi pensando nessa intersecção que o repertório precisou passar por um “pente fino”, mas o resultado final é produto de três mentes que pululam música e se dedicaram especialmente para o projeto. Entre os versos de Tom Jobim, Vinícius de Moraes e Caetano Veloso, está a escrita de Clarice Lispector, Fernando Pessoa e Luís Vaz de Camões. Sem contar com as autorais de Calcanhotto e Wisnik e os acordes certeiros de Camarero.

“São intersecções entre os nossos trabalhos com este foco dos poetas de língua portuguesa. Construímos o repertório com três olhares sobre o mesmo tema, que é apresentar o Brasil”, explica.

A artista destaca que o convite partiu de José Wisnik e que não seria “nada diferente do que já faziam ao longo dos anos”. Isso porque as “aulas-show”, como erroneamente são chamadas, segundo Calcanhotto, já são apresentadas ao redor do mundo, inclusive pela própria cantora. Na prática, a apresentação intercala diálogos em que os artistas destacarão não só aspectos singulares da identidade poético-musical brasileira, como a proximidade entre o erudito e o popular, a música e a literatura e também diálogos com a poesia portuguesa, que atravessam o roteiro das canções.

A ideia é seguir com o mesmo setlist apresentado em Lisboa, abrindo exceções somente aos comentários para o público a fim de situar de onde vem cada montagem escolhida para a apresentação, além de passar pela influências que cada artista recebe ao longo da trajetória dentro das artes.

BRASIL EM VOGA

Apresentar o Brasil como um país situado na América Latina e, mesmo assim, que fala português, é uma das maiores particularidades do espetáculo e do país, segundo Calcanhotto. E ainda mais quando vivenciamos um olhar mais contínuo e de reconhecimento pelos feitos, sendo em premiações nas artes ou nos esportes. Calcanhotto afirma que a visão de Wisnik sobre a atual era do país é similar com a de outros grandes cantores, como Caetano Veloso, da qual constata que o Brasil está sempre sendo “visto” e sempre “na moda”. Por esse motivo, a compositora gaúcha avalia que a entrega no palco é importante para o cenário vigente e considera ter feito algo “concreto”.

*Supervisão de Luiz G. Lopes

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