Arte & Agenda

Festival de Berlim terá obra de iraniano preso

Panahi foi detido por filmar os distúrbios ocorridos na eleição do país em 2009

O 63º Festival Internacional de Cinema de Berlim, que começa na quinta-feira e vai até 17 de fevereiro, sempre fiel a sua tradição de convidar líderes do cinema político e estrelas hollywoodianas, apresentará este ano o último filme do diretor iraniano Jafar Panahi, preso em seu país por seu olhar crítico sobre o regime.

Entre as estrelas convidadas neste ano para o Festival de Berlim estão Isabella Rossellini, Matt Damon, Jude Law, Juliette Binoche, Nicolas Cage, Catherine Deneuve, Isabelle Huppert e Christopher Lee.

"Por um lado, temos grandes filmes hollywoodianos, mas também convidamos diretores que rodaram seu primeiro ou segundo filme", declarou o diretor da Berlinale, Dieter Kosslick, ao apresentar a seleção oficial no final de janeiro.
"O programa inclui inúmeros filmes que têm uma mulher no coração da intriga e filmes que mostram os danos colaterais provocados pela crise nas diferentes sociedades", acrescentou Kosslick.

O diretor da Berlinale ressaltou que as seleções paralelas permitirão descobrir o olhar ácido que lançam, em seus longas, os países do sul da zona do euro sobre a crise da dívida que os afetou duramente (como Grécia, Espanha e Portugal).

Jafar Panahi, cineasta de 52 anos aclamado nos principais festivais internacionais de cinema por seus filmes corajosos de crítica social, proibidos no Irã, apresentará "Closed curtain", um longa em que ele mesmo aparece.
Esta obra, codirigida por sua compatriota Kambozia Partovi, é muito esperada em Berlim.

Panahi foi detido em razão do documentário que estava realizando sobre os distúrbios ocorridos na eleição de Mahmud Ahmadinejad em junho de 2009. Ele foi acusado de propaganda contra o regime e, depois de ser condenado à prisão domiciliar, foi sentenciado a seis anos de prisão, além de ter sido proibido de filmar durante 20 anos. O iraniano também não está autorizado a viajar.

Panahi dirigiu "O Balão Branco", "Sangue e Ouro", "O Espelho", "O círculo" e ganhou o Urso de Prata em Berlim em 2006 por "Fora do Jogo". Ele é considerado um dos principais representantes da "nova onda" do cinema iraniano, ao lado de Abas Kiarostami, quem foi assistente no começo de sua carreira.

Confira a lista completa dos filmes em competição:

"Camille Claudel 1915", de Bruno Dumont (França)

"A long and happy life", Boris Khlebnikov (Rússia)

"Prince avalanche", David Gordon Green (EUA)

"Side effects", de Steven Soderbergh (EUA)

"Promised land" (Terra Prometida), de Gus Van Sant (EUA)

"Elle s'en va", de Emmanuelle Bercot (França)

"An episode in the life of an iron picker", de Danis Tanovic (Bósnia-Herzegovina)

"The necessary death of Charlie Countryman", Fredrik Bond (EUA)

"Gloria", de Sebastián Lelio (Chile/Espanha)

"Gold", de Thomas Arslan (Alemanha)

"Layla Furie", de Pia Marais (Alemanha/África do Sul)

"Nobody's daughter Haewon", de Hong Sangsoo (Coreia do Sul)

"Paradise: hope", Ulrich Seidl (Áustria)

"Closed curtain" (Cortina Fechada), Jafar Panahi, Kamoziya Partovi (Irã)

"Child's pose", de Calin Peter Netzer (Romênia)

"La religieuse", de Guillaume Nicloux (França)

"Harmony lessons", de Emir Baigazin (Cazaquistão/Alemanha)

"Vic et Flo ont vu un ours", de Denis Côté (Canadá)

"In the name of", de Malgoska Szumowska (Polônia)

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