Para quem considera retrocesso esse passo rumo ao gigantismo, há pelo menos uma boa notícia para compensar. O critério de ineditismo dos longas, que havia sido abolido no ano passado, volta a vigorar. Isso quer dizer que os 12 longas em competição serão novidade para o público e para os jornalistas. Nenhuma dessas mudanças é definitiva. Serão adotadas em caráter experimental, é o que diz Sérgio Fidalgo, coordenador geral do festival. "Tudo isso nos traz certa insegurança", admite. "Vamos ver como o público reage, pois será uma maratona". De fato, é mudança radical na estrutura. O público de Brasília, bastante participativo, havia se habituado à dieta enxuta de um longa e dois curtas a cada noite. Agora, haverá o dobro.
E o conforto do Cine Brasília será apenas uma grata recordação, uma vez que a sala está em reforma e o festival será todo no Teatro Nacional, lindo, de bela acústica, mas que não tem nas apertadíssimas poltronas sua melhor referência. As cadeiras do teatro nos fazem sentir saudades das dos aviões, na classe econômica, para você ter ideia. "Estaremos fora do nosso ninho, que é o Cine Brasília", lamenta Fidalgo.
Nesta segunda-feira o festival se inicia com um concerto da Sinfônica de Brasília, e a apresentação, fora de concurso, de "A Última Estação", de Márcio Curi. Na terça, começa para valer, com as mostras competitivas. A primeira sessão, com o curta "Câmara Escura" (PE), de Marcelo Pedroso, e o longa "Um Filme para Dirceu" (PR), de Ana Johan. Em seguida, mais dois curtas, "Linear", de Amir Admoni (SP) e "Canção Para Minha Irmã", de Pedro Severien (PE), antecedendo o longa "Eles Voltam", de Marcelo Lordello (PE). Será a primeira amostra de uma seleção que Fidalgo considera muito boa. "Vi os 30 filmes e fiquei entusiasmado", garante.