A dança é para todos. Ela ocupa um grande espaço nos ambientes informais como festas e celebrações, nos teatros, centros culturais e, até mesmo, na rua. Só que é difícil desfrutarmos dessa arte em museus. E é exatamente sobre isso que o Festival Internacional de Videodança do RS (Fivrs) quer falar e mostrar.
O nome já fala por si só: vídeo e dança. Se um deles já é o bastante para democratizar passos ensaiados, o outro ajuda a tornar mais comum uma das artes mais antigas da humanidade. Até o dia 18 de setembro, no Museu do Paço de Porto Alegre (Praça Montevideo, 10 - Centro Histórico), das 9h às 17h, estão três aparelhos de televisão, cada um deles com fone e projetor, dos quais são transmitidos os materiais selecionados neste ano.
As 45 videodanças – oriundas de 15 países e 13 estados do Brasil – foram selecionadas dentre 249 inscrições provenientes de 22 países e de 23 estados brasileiros. Entre os países, estão México, Espanha, Colômbia e Itália. As narrativas artísticas são divididas em quatro programas: Sensibilidades que abraçam; Emoções expandidas; Paisagens sonoras e Coreografias do encontro, que buscam compor percursos de fruição instigantes, capazes de desvelar ressonâncias, diálogos e contrastes.
“Não estabelecemos critérios específicos para a seleção. A gente convida pessoas que a gente admira e que a gente acredita que tem um olhar atento e delicado para olhar para essas produções e escolher. O que é bem importante para nós, sempre, é buscar a maior diversidade possível”, avalia a professora e co-diretora do Festival, Rosângela Fachel.
O cuidado passa, inclusive, por questões como os diferentes segmentos e nichos da dança, além da representatividade de corpos diversos.
“A variação de corporalidades é algo que a videodança nos propicia, porque tem possibilidade de termúltiplas representações corporais no audiovisual. Se a gente for comparar, sobretudo, com as narrativas audiovisuais mais hegemônicas, a gente vai saber que privilegiam um tipo específico de corpo”, complementa.
A Comissão Avaliadora é formada por um time de jurados incumbidos de avaliar e conferir se o edital está sendo cumprido. No time, estão a artista e professora da Universidad de Málaga, Ana Sedeño Valdellós; a artista e pesquisadora do Rio Grande do Norte, Ana Claudia Viana; a diretora da Videodança+, de Santa Catarina, Sarah Ferreira; a diretora do Festival Internacional de Videodança Cuerpo Digital, da Bolívia, Sofía Orihuela; e o gaúcho Igor Pretto, que é artista, videomaker e diretor.
CRIAÇÃO
A sétima edição do Festival reforça a parceria entre o Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais e o Curso de Dança da Universidade Federal de Pelotas e da Fundação Ecarta, firmada em 2020, na primeira edição do evento.
Em meio à pandemia de Covid-19, as professoras Carmen Anita Hoffmann e Rosângela Fachel associaram as linhas de pesquisa acadêmica e as transformaram no evento artístico curatorial e de divulgação da linguagem da videodança.Desde então, o festival ocorre anualmente com o propósito de usar o vídeo como recurso para expansão da arte. O Festival Internacional de Videodança do RS também pode ser acompanhado pelo Youtube, no canal oficial do espetáculo.
*Sob supervisão de Carolina Santos.