Quem nunca, na época do colégio, teve aquela vontade de se envolver com a magia do cinema? Da criação à execução? Decidindo o roteiro, definindo nas tardes livres com os colegas quem ocuparia o lugar de diretor, protagonista...? Pois foi a fim de encarar essa fase lúdica dos alunos com algo mais palpável, que o festival “Primeiro Filme” foi idealizado em 2013. A proposta, como conta o cineasta e mentor do evento Carlos Gerbase, era tornar a fantasia dos estudantes em realidade, abrindo espaço para escolas públicas e privadas do todo o RS inscreverem seus alunos do ensino médio.
A ideia não só deu certo, como superou a expectativa de inscrições e já chega a sua segunda edição, agora em 2015, com gostinho de quero mais. “Na época [em 2013], imaginávamos receber cerca de 18 vídeos e acabamos com 45 inscritos. Mas, além do número, nos surpreendemos com a qualidade e a complexidade dessas produções”, conta a cineasta Luciana Tomasi, da Prana Filmes, produtora que realiza o projeto de curtas em parceria com o Santander Cultural. Para este ano, ela estima receber o dobro de obras da primeira edição, aumentando também o nível da competição.
Esse cenário positivo é traçado com base na análise de que o festival está estimulando os jovens a dominarem cada vez mais as tecnologias disponíveis. “Com a disseminação do uso de celulares e a facilidade de se fazer vídeos já é possível perceber que a linguagem audiovisual interessa muito a esse público, então é preciso investir nisso para multiplicar maior conhecimento na área”, argumenta Luciana.
Esse é o caso de Arthur Pegas Leite, vencedor da categoria de melhor direção do Primeiro Filme com “Faroeste Moderno”, do Colégio Evangélico Alberto Torres, de Lajeado. Conforme o estudante, o curta foi feito com os celulares e algumas câmeras semiprofissionais dos colegas. Tudo despretensioso, mas muito bem elaborado. “Como é difícil fazer filmes amadores, optamos por um curta mudo, utilizando apenas músicas e efeitos sonoros de fundo. E também trabalhamos com mais de uma câmera para apresentar as cenas de diversos ângulos”, resume Arthur sobre a produção inspirada nos clássicos de bang bang. Junto aos colegas, na época cursando o 1º ano do ensino médio, ele participou ativamente de todas as etapas envolvidas, desde o roteiro até a edição. E se o prêmio trouxe o reconhecimento e até certa fama na cidade, o guri revela que o maior benefício foi ter aprendido a trabalhar em grupo.
Quem reforça a opinião é Cristiane Schneider, professora de artes cênicas e responsável por fazer a turma toda a participar da iniciativa. Para ela, que já realiza projetos de curtas-metragens há cinco anos no colégio, trabalhar com produções cinematográficas no ambiente escolar traz engajamento e coletividade justamente por se tratar de uma ferramenta de comunicação mais acessível às novas gerações.
O professor Márcio Kinzeski, que comandou os estudantes da Escola Arthur Costa e Silva de Capivari do Sul, concorda. Amante assumido da sétima arte, ele viu no Primeiro Filme uma forma de motivar a gurizada. Depois de participar de uma capacitação em Porto Alegre, oferecida pelo próprio fesitval, ele lançou a proposta aos alunos, que resolveram criar o curta “Nos Limites da Sala de Aula” – uma problematização exatamente sobre o uso de smartphones entre as quatro paredes do ensino. “Acho que isso os ajudou a explorar melhor a sua capacidade intelectual. O envolvimento deles foi fantástico, participaram de todas as etapas, ajudaram a definir tudo nos mínimos detalhes”, recorda.
Além de levar um troféu para a escola, a iniciativa impulsionou o professor a continuar trabalhando com audiovisual durante todo o ano, algo que considera muito importante em uma instituição do interior, onde dificilmente tanta gente teria acesso a esse tipo de oportunidade. Atualmente, Márcio está com tantos projetos em andamento que não conseguirá participar da segunda edição do "Primeiro Filme", ao contrário da Cristiane, que já enviou quatro curtas de suas novas turmas.
Quem quiser participar tem até o dia 30 de junho para se inscrever aqui pelo site. Depois, as produções enviadas serão analisadas até que sejam definidas 15 finalistas, que serão exibidos no dia 7 de agosto, quando acontece a noite de encerramento do festival.
Assista ao curta "Faroeste Moderno", que levou a melhor direção:
Festival incentiva estudantes do ensino médio a entrarem no mundo do cinema
Projeto Primeiro Filme ajuda a explorar a linguagem audiovisual em sala de aula