Empoderamento, feminismo, arte e palhaçaria feita só por mulheres são os ingredientes do Festival Palhaças do Sul, que ocorrerá de 22 a 28 de março, nas redes sociais do projeto. Visibilizar o trabalho de artistas palhaças, trocar experiências e discutir as implicações de gênero na máscara e nas relações sociais entre artistas e comunidade é o objetivo. Espetáculos, oficinas, debates, cabarés, podcasts e ainda a confecção de um livro registro para a posteridade estão previstos no evento, que ocorre com recursos da Lei Aldir Blanc. Hoje é o último prazo para artistas gaúchos interessados em participar do palco aberto ou Sessão Bendita se inscreverem, pelo site www.palahaçasdosul.com.
O projeto conta com diversas ações de inclusão social e discute amplamente a política afirmativa de gênero, incluindo oficinas teóricas que abordam o feminismo em suas diferentes vertentes, debates sobre a comicidade das mulheres negras, entre outras importantes reflexões. No corpo técnico e artístico há total prioridade na escolha de profissionais mulheres para todas as funções necessárias para a execução do festival. A curadoria dos espetáculos e números circenses se preocupou em beneficiar participantes de todas as regiões do RS, para que se conheça este recorte regional. Algumas atividades contarão com intérprete de libras e todas serão gratuitas e por ordem de inscrição. O Teatro Hebraica, proponente do projeto, dará suporte para as apresentações dos espetáculos, que serão transmitidas por meio virtual.
A arte da palhaçaria foi por muito tempo território de predomínio masculino. As mulheres não podiam portar a máscara e quando o faziam eram vestidas de homens. A aproximação das mulheres com essa arte se intensificou com as escolas de circo e os hibridismos entre teatro e circo, que possibilitaram que experimentassem e desenvolvessem as técnicas. No Brasil o movimento de Palhaçaria Feminina começou a tomar contornos mais expressivos a partir da década de 1990, por intermédio de uma série de ações desenvolvidas por artistas palhaças, como festivais, debates, pesquisas, escolas e oficinas específicas. Atualmente, conta com aproximadamente 14 festivais, que jogam luz no trabalho que está sendo feito, com diversas redes entre as mulheres: rede de Palhaças do Brasil, de Festivais de Palhaças, Rede Catarina de Palhaças, Praiaças – Movimento de Palhaças da Baixada Santista, entre tantos outros.