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Figurinista de "Os Miseráveis" inspirou-se nas cores de Almodóvar

Musical que concorre ao Oscar estreia no Brasil em 1º de fevereiro

Musical que concorre ao Oscar estreia no Brasil em 1º de fevereiro
Musical que concorre ao Oscar estreia no Brasil em 1º de fevereiro Foto : Divulgação / CP
O figurino do dramático musical "Os Miseráveis" exagera nas cores e texturas para fazer uma ponte entre o épico e a fantasia, segundo o figurinista do filme Paco Delgado, espanhol ligado à tradição dos diretores Pedro Almodóvar e Alex de la Iglesia. "Usamos as cores de uma maneira dramática. Vermelhos em momentos onde há muito dramatismo, cores apagadas em momentos de tristeza. Tudo isso distorce a realidade para transformá-la na história que se quer contar", disse o responsável por vestir dezenas de atores na produção cinematográfica.

Estrelado por Hugh Jackman e Anne Hathaway, com a participação de Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter, o musical baseado no romance francês "Les Miserables" de Victor Hugo, estreou nos Estados Unidos e Espanha no Natal e chega ao Brasil a partir de 1º de fevereiro.

Antes do projeto, que ganhou 3 Globos de Ouro e um SAG Award além de indicações para o Oscar, Delgado fez o figurino de filmes emblemáticos do cinema ibérico como "A Comunidade" e "O Crime Perfeito", ambos de Alex de la Iglesia, além de "Má Educação" e "A Pele que Habito", de Pedro Almodóvar, e "Biutiful" do chileno-espanhol Alejandro Amenábar.

Entre os trabalhos anteriores e "Os Miseráveis" existe "um fio condutor, que é o uso da cor", disse Delgado, justificando o dramático uso das tonalidades. "Temos uma forma de visualizar as coisas com um prisma um pouco diferente. Cada um vê a realidade de forma diferente e nós temos esse toque de realismo fantástico", explicou o artista, indicado por seu trabalho aos prêmios da Asssociação de Críticos de Cinema.

A história original, máxima representante do romantismo francês, necessitava que o tratamento realista da imagem fosse exagerado, justificou Delgado, mas ao mesmo tempo fantasioso, por tratar-se de um musical. "Queríamos que tudo fosse muito real e isso se vê nas texturas, mas também há o uso da cor diferente", explicou. Por exemplo, Helena Bonham Carter e Sacha Bahon Cohen “são uma explosão de fantasia, como um disfarce". "Quando abordamos um filme de época, normalmente a intenção principal é reproduzir a realidade com muita exatidão", disse. "Já que essa é uma situação que não se dá na vida real, tínhamos que abordar algo de fantasia. Sabíamos que teríamos que caminhar sobre a linha que separa realidade e fantasia”, explicou.

Para criar essa arte hiperrealista, que não economiza na sujeira e nos cheiros que o espectador quase pode sentir, Delgado se inspirou em obras de pintores da época como Delacroix, Goya, David e Ingres. No figurino das primeiras cenas, quando o protagonista Jean Valjean é um ex-condenado, Delgado elegeu tons azulados e texturas rugosas, com fios mais grossos, como linhos e lãs brutas. À medida que o filme avança e Valjean se redime, Delgado refinou sua proposta para tecidos mais finos. “Sedas, mais agradáveis ao corpo, e cores mais complexas", completou o figurinista.

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