O filipino "The Woman Who Left" ("Ang Babaeng Humayo", no original), uma longa narrativa em preto e branco sobre a luta de uma mulher injustamente acusada de um crime, levou o Leão de Ouro de melhor filme na 73ª edição do Festival de Veneza. No enredo dramático, uma mulher busca vingar os 30 anos que passou na prisão.A película de quase quatro horas foi roteirizada e dirigido por Lav Diaz, que conquistou o prêmio Alfred-Bauer na Berlinale, com "A Lullaby to the Sorrowful Mystery" ("Hele Sa Hiwagang Hapis", no original), em fevereiro deste ano.
"Nem acredito que ganhei esse prêmio. É muito bonito. Eu o dedico ao povo filipino, à nossa luta, à luta da humanidade", declarou Lav Diaz, ao receber a condecoração no Palais du Cinéma, no Lido. O cineasta já havia sido selecionado em Veneza na seção paralela "Orizzonti", com "Melancholia", de 2008, e "Morte na Terra de Encantos", de 2007.
Já o mexicano Amat Escalante ("La región salvaje") e o russo Andrei Konchalovsky ("Paradise") ganharam o Leão de Prata de melhor direção neste sábado. "É emocionante receber um prêmio em Veneza, onde ganharam tantos filmes que me inspiraram. É uma honra", declarou Amat, cuja obra mistura ficção e realidade, efeitos especiais com situações autênticas de um país violento e machista como o México.
Com seu segundo filme, "Nocturnal Animals", o ex-estilista de moda da Gucci Tom Ford levou o Leão de Prata Grande Prêmio do Júri por uma história original de traição e violência, um retrato da fragilidade humana e de sua impotência. "A Itália é minha segunda casa. Estar aqui é realizar um sonho", confessou, com a voz embargada, ao receber a estatueta.
O ator argentino Oscar Martínez ganhou a Copa Volpi do Festival de Veneza por sua atuação no filme "El Ciudadano ilustre", de Mariano Cohn e Gastón Duprat. Aclamado em Cannes pelo premiado "Relatos selvagens" (2015), de Damián Szifrón, e vencedor do prêmio em San Sebastián por "El nido vacío" (Daniel Burman, 2008), agradou ao júri na Itália com seu papel de escritor célebre que retorna a seu perdido e modesto povoado de origem após 45 anos de ausência. "Essa distinção tem um valor incomensurável, porque vem de um país que teve uma constelação de criadores geniais única no mundo e produziu o melhor cinema do século XX", afirmou.
O primeiro filme em inglês e sobre uma mulher, "Jackie", do chileno Pablo Larraín em coprodução com os Estados Unidos, foi agraciado com o prêmio de melhor roteiro. Escrito por Noah Oppenheim, retrata a "rainha sem trono" que foi Jacqueline Kennedy, interpretada brilhantemente por Natalie Portmann.
Assista ao trailer de "The Woman who left":
Confira os vencedores do 73º Festival de Veneza:
Leão de Ouro de melhor filme: "The Woman Who Left", de Lav Diaz
Leão de Prata Grande Prêmio do Júri: "Nocturnal Animals", de Tom Ford
Leão de Prata para melhor direção: Amat Escalante, por "La Región salvaje", e Andrei Konchalovski, por "Paradise"
Prêmio de melhor roteiro: Noah Oppenheim, por "Jackie"
Prêmio especial do júri: "The Bad Batch", de Ana Lily Amirpour
Copa Volpi para melhor atriz: Emma Stone, em "La La Land - Cantando estações"
Copa Volpi para melhor ator: Óscar Martínez, em "El Ciudadano Ilustre"
Prêmio Marcello Mastroianni de melhor revelação: Paula Beer, por "Frantz",
Prêmio de melhor filme da seção "Orizzonti": "Liberami", de Federica De Giacomo
Prêmio de melhor diretor da seção "Orizzonti": Fien Troch, por "Home"
Filipino "The Woman who left" conquista Leão de Ouro em Veneza
Filme conta história de mulher acusada injustamente de um crime