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Filme “A Verdadeira Dor” chega hoje aos cinemas

O roteiro, indicado ao Oscar, traz dramas pessoais e um mergulho na memória do Holocausto

Jesse Eisenberg e Kieran Culkin no filme A Verdadeira Dor
Jesse Eisenberg e Kieran Culkin no filme A Verdadeira Dor Foto : Searchlight Pictures / Divulgação / CP

Na segunda, 27 de janeiro, o mundo lembrou os 80 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. Neste dia 30 de janeiro, estreia um filme que coloca pessoas comuns, ligadas pelo sangue e pela identificação com o povo, em uma imersão na imensa dor do Holocausto, que vitimou mais de 6 milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial por obra dos nazistas.

“A Verdadeira Dor”, com roteiro e direção de Jesse Eisenberg (“Quando Você Terminar de Salvar o Mundo”), chega ao público com uma roupagem de comédia dramática para condensar dramas pessoais dos dois protagonistas e do grupo que faz uma imersão pelas memórias do Holocausto, na Polônia, e uma busca de algum sentido na vida a partir de ancestralidade ou da significado da dor dos judeus e da barbárie que sempre é uma guerra, seja ela qual for. O filme tem duas indicações ao Oscar, para Kieran Culkin como Ator Coadjuvante (ele ganhou o Globo de Ouro na categoria em Comédia ou Musical) e de Roteiro Original.

A história acompanha os dois jovens primos estadunidenses, descendentes de poloneses, David (Jesse Eisenberg), um pai e marido amoroso, de poucas palavras, dedicado ao trabalho e pragmático, que abotoa as camisas apenas no primeiro botão, e Benji (Kieran Culkin), seu primo histriônico, boêmio, comunicativo, que lê as pessoas no primeiro contato, mas que tem um universo errante que flerta com o suicídio e outros pensamentos desesperados. Os dois primos foram criados bem próximos, mas foram se afastando. Eles perderam a avó judia polonesa, que ao morrer deixou uma soma de dinheiro para que eles pudessem visitar a Polônia e entender a dor do Holocausto.

Nesta visita guiada a locais de Varsóvia, Lublin e imediações e ao campo de concentração de Majdanek, eles participam de um grupo pequeno, seis pessoas mais o guia britânico James (Will Sharpe), que não é judeu, mas estudioso de Oxford e obcecado pela história da experiência judaica. O grupo é bastante heterogêneo, formado ainda pela divorciada nova-iorquina Marsha Kramer (Jennifer Grey), que homenageia a mãe sobrevivente dos campos de concentração; pelo casal Diane (Liza Sadovy) e Mark Binder (Daniel Oreskes), aposentados que vieram por causa da ancestralidade dele em Lublin; o ruandês Eloge (Kurt Egyiawan), que não é judeu, mas é convertido ao judaísmo e é um sobrevivente de genocídio em Ruanda, morando no Canadá.

O que move a história é o drama pessoal dos primos, que vão se separar do grupo para visitar a cidade natal da avó. As diferenças entre eles aparecem cada vez maiores no grupo. Enquanto Benji é aberto, conversa com todos, anima o grupo junto aos locais históricos, mas também polemiza com o guia e com praticamente todos do grupo, David é mais fechado, conversa pouco e acaba por se envergonhar de algumas atitudes exageradas do primo. As reflexões de ambos sobre o fato de serem poloneses, de haver tanta dor na família, vinda exatamente destes locais que estão visitando acaba levando o filme para a mistura super agradável e dolorida de roteiro desta dor que nunca se apaga, a do Holocausto, ao som de composições do polonês Frédéric Chopin.

Eisenberg consegue com este filme fazer um coquetel na medida certa de humor, acidez, melancolia e reflexões extremamente pertinentes sobre as cargas emocionais de várias situações na vida dos personagens da história, com os quais acabamos nos identificando, que vão da convivência entre diferentes pessoas ligadas ao tema judaico e o mergulho no legado e numa espécie de reconciliação pessoal a partir de um processo que pode ser tão dolorido, mas conduzido com a dose certa de leveza. Um elogio redobrado as diversas camadas de interpretação de Kieran Culkin, sério candidato ao Oscar de Coadjuvante, que já tinha hipnotizado a todos na série “Succession”. É um filme para ser visto e comentado, que envolve o espectador do começo ao fim.

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