Prejudicado por um problema técnico que afetou o som, o filme teve seu "nascimento" lamentado pelo diretor e pela equipe, que aprovou uma nova sessão para público e imprensa até o final do Festival. "Vocês assistiram imagens, mas não viram o filme", comentou Silveira, respeitado diretor de fotografia que começou no cinema com "Betty Balanço", emocionou grande parte do país com "Os 2 Filhos de Francisco" e já prepara lançar a vida de Luis Gonzaga nas telas.
Apaixonado pela poesia musicada de Roberto Carlos, Silveira conseguiu que o "rei", depois de ver o filme, cedesse quatro canções que acompanham a história do homem em fuga ou em busca de uma expiação pessoal, vivido pelo talentoso João Miguel. Os cenários que emolduram as emoções do personagem começam no sertão brasileiro, já capturado pelo olhar do diretor, em seu filme anterior "Eu, Tu, Eles..." , e seguem por Bahia, Minas Gerais e São Paulo. Num contexto em que a geografia vai acompanhando as mudanças do personagem de Miguel. "Me sinto um artesão e faço cinema como arte, buscando a técnica e o humano", revelou João Miguel que começou no cinema aos 33 anos e hoje, aos 42, já é ator elogiado no cenário nacional, visto, entre outros, em "Estômago", de Marcos Jorge, e "Xingu", de Cao Hamburguer.
Miguel também lamentou os problemas técnicos da exibição: "É um filme realista para o qual é fundamental capturar as palavras, ditas com minúcias e com coração". O CinePE segue até o próximo dia 2 de maio, com exibições de longas, curtas, mostras especiais e debates.